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O estupro não tem outro sentido que não o de subjugar alguém. Em regra, são as mulheres, mas qualquer pessoa mais fraca está à mercê de ser subjugada sexualmente pelo "mais forte" do bando. E a culpa, se é que haverá um culpado, será sempre imputada ao mais fraco.

O que a jovem passou no Rio de Janeiro, também passam milhares de outros brasileiros todos os dias, todos os anos. Crianças são seviciadas pelos pais, parentes... O caso da moça carioca chocou porque não bastou a humilhação de um canalha, uma corja inteira de monstros sem caráter abusaram de uma menina, que já seria indefesa por sua natureza, mas que eles resolveram facilitar ainda mais este abuso drogando-a.

São abomináveis estes homens e outros também. A monstruosidade que explicitaram agora não surgiu do nada. Muitos não sabem, se o estupro quase não é abordado pela imprensa, que dirá os abusos cometidos por menores de idade contra outros menores?! Como o caso da jovem estuprada e agredida por cinco homens, sendo quatro menores de idade, no Piauí. Nem sempre meninos contra meninas, mas também meninos contra meninos.

Há poucos anos, dois meninos de 12 e 13 anos estupraram outro menino de 11 anos no banheiro da escola. Parece um pesadelo, mas não é. O caso aconteceu, o menino estuprado contou em prantos a mãe depois de implorar para nunca mais ir a escola. Doi, né?! Ninguém precisa de imagens, ninguém precisa de ilustração, nossa imaginação é capaz de nos fazer reproduzir a dor do outro como se fosse nossa.

Ninguém precisa ver para crer. Mas as imagens dos monstros cariocas - trinta e três - abusando de uma pessoa inconsciente foram divulgadas, compartilhadas, talvez até curtidas, por incontáveis outros monstros. Muitos deles - delas também - indignados com a situação da moça, mas incapazes de se colocar no lugar dela. Quem gostaria de ter imagens suas, de suas filhas, espalhadas por todo canto do mundo?

Nua, abusada, desacordada, completamente vulnerável à lascívia de almas doentias, gente sem coração, gente sem compaixão, gente que - talvez - também tenha sido abusada na infância. E que agora reproduz. Nada justifica! Quantos não são abusados e levam uma vida de respeito e amor pelo próximo?! Bandido não precisa de desculpa para fazer o mal, basta querer.

Não bastassem 33 abutres para serem caçados pela polícia e odiados por qualquer ser humano, há ainda as outras milhares de pessoas que compartilharam as imagens, o vídeo... Que tipo de ser humano é capaz de ver alguém tão vilipendiado e ainda encontrar motivação para repassar a tragédia dos outros, como se fosse necessário um clipe satânico para dar vida, cheiro e gosto a algo que basta a imaginação para causar dor e revolta?

Parece que há gente demais por quem devemos nutrir raiva e cobrar explicações, não é necessário que o julgamento generalizante transforme ainda mais gente em réu e mais mulheres em vítimas.

A vítima, com certeza, só quer apagar todo esse trauma de sua memória. Gritem, esperneiem, indignem-se, mas apaguem imagens e vídeos de seus celulares/arquivos. Não repassem, não compartilhem, não mostrem "só a uma pessoa, só aqui, rapidinho". Não seja cúmplice, não seja mais um abusador(a), não seja um reprodutor de mazelas.

Gritar e espernear nas redes sociais deve ser só uma das fases, as outras passam por exemplos, pela criação de meninos e meninas, pela forma como tratamos nossos semelhantes e diferentes...

Amar o próximo vai muito além de qualquer escândalo abominável, deve ser uma construção diária...