Luíza Brunet ganhou as manchetes dos jornais esta semana. A ex-modelo e atriz acusou o ex-marido de tê-la agredido com socos e pontapés durante viagem a Nova York. Luíza alega que além dos hematomas, também teve quatro costelas quebradas na agressão, e que voltou ao Brasil no dia seguinte, escondida e sozinha.

A imagem de seu rosto com hematoma e inchado choca, não só porque Luíza é uma das mulheres mais lindas deste país, mas também porque expõe uma face nada glamorosa da vida de celebridades, que longe de terem vida de princesa, enfrentam diversidades muito parecidas com as de milhões de mulheres da periferia.

O caso da musa do carnaval carioca se destaca do de outras mulheres porque Luíza conta com o apoio maciço da mídia e de renomados e caros advogados, assim como seu agressor, um bilionário, conta com a melhor defesa que o dinheiro pode comprar.

Mas Luíza e as milhões de brasileiras enfrentam o mesmo preconceito. “Ela só quer chamar atenção”, “todo mundo sabe que mulher gostar de apanhar”, “ela deve ter feito alguma coisa para apanhar, ele não bateria nela do nada”, “ela quer tirar o dinheiro dele”, eis algumas das acusações que a vítima recebe quando expõe sua vergonha, humilhação e medo.

O caso de Luíza não é nenhuma novidade, mas sua coragem precisa ser louvada. Denunciar uma agressão doméstica é superar o medo, a dor e a desonra, é preciso muita coragem, coisa que muitas mulheres não conseguem ter. A atitude de Luíza ajuda a nos provar que o machismo ainda é muito forte no Brasil e que não podemos tratar com naturalidade o que é uma aberração.

Em tempo, lembremos que a agressão não é só a física, mas também a moral. Aquela que destrói a mente e o corpo da vítima sem deixar marcas físicas e nem testemunhas. A dor de Luíza é a dor de todas as mulheres que estão cansadas de explicar que a mulher pode fazer o que quiser, quando quiser, como quiser e nada – simplesmente nada – justifica que seja agredida por quem quer que seja.