Editora Guia Mais 52eb3ece 3b5a 41cf 8a35 470b3efb8fcd João Gomes - Presidente do STIFT de Delmiro Gouveia

A cidade que se prepara para celebrar os 100 anos do assassinato de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia em 10 de Outubro, permanece calada e passiva diante da possibilidade de presenciar a falência do seu maior empreendimento – a Centenária Fábrica da Pedra.

Comentários que circulam nas redes sociais sugerem que estão havendo negociações para a venda do maquinário pertencente ao parque fabril de Delmiro Gouveia. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem (STIFT) João Gomes, concedeu entrevista a um site local afirmando que é contra a venda das máquinas, e que, em contato com o diretor do Grupo Carlos Lyra, Jorge Cavalcante, foi informado de que a afirmação não procede. Diz ele:

“Tem realmente circulado nas redes sociais, esses comentários. Já cheguei a ligar para o preposto da “Fábrica da Pedra”, Jorge Cavalcante, para saber se isso é verdade, até então ele falou, que não se trata apenas da venda dos maquinários, e, sim de pessoas interessadas em comprar a fábrica como um todo,” disse o presidente.

O Presidente admite que foi informado de que alguns sites de negócios estariam informando a venda do maquinário da Fábrica da Pedra, destacando que o Sindicato se posiciona contra este fato, por entender que tal ação significaria o fim de qualquer possibilidade de retorno das atividades de fiação e tecelagem da indústria têxtil na Fábrica da Pedra. Este fato remete imediatamente ao fechamento da Confecção da Companhia que, além de demitir cerca de 800 pessoas nos anos 80, teve o seu maquinário vendido como “sucata” para empresários de Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe.

Os integrantes do Sindicato vêm buscando solucionar o problema, mas sem sucesso até agora. O Presidente da instituição, João Gomes, relembrou de uma audiência pública, realizada na Câmara Municipal de Delmiro Gouveia, o que segundo o mesmo, não deu em nada. Na entrevista que concedeu ao site de notícias Editora Guia Mais, ele afirma:

“Estamos buscando junto com toda população uma solução para a reabertura da Fábrica da Pedra. Já fizemos audiência publica na Câmara de Vereadores e, lamentavelmente, eu não esperava uma ação tão omissa por parte do Legislativo Municipal, até então não surgiu efeito nenhum.” Ele ainda afirma que em nenhum momento foi incluído nas comissões formadas para chegar até o Governador Renan Filho em busca de soluções para o grave problema que afeta diretamente a cidade de Delmiro Gouveia e o Estado de Alagoas que, se confirmado o fechamento definitivo da empresa, também deixa de arrecadar para o Estado.

A Fábrica da Pedra gera algo em torno de 1 milhão de reais mensais  na economia da cidade. Os funcionários demitidos tiveram suas contas parceladas em 10 meses, segundo foi informado pela imprensa, e isto leva a um falso sentimento de “normalidade” diante da crise instalada. Ao deixar de circular, poderá ser visível o caos econômico e a verdadeira face do transtorno que o fechamento da Fábrica vai produzir.

O comércio local está combalido, muitos comerciantes  estão fechando as suas portas e muitos outros, fatalmente, o farão também em breve.

Talvez seja o momento da população se manifestar e levar o seu grito aos setores competentes; os gestores em todas as esferas precisam honrar seus compromissos e arregaçarem as mangas para sair em busca de soluções.

Representantes do grupo empresarial das Casas Pernambucanas chegou a visitar o parque têxtil, mas o negócio não se concretizou. O assessor de comunicação do Grupo Carlos Lyra, Edivaldo Júnior, afirma há outros grupos interessados em adquirir a empresa. Será?!?

Enquanto nada acontece e providências efetivas não estão sendo tomadas, a empresa criada por Delmiro Augusto da Cruz Gouveia agoniza lentamente, carecendo urgentemente da ação de homens destemidos que lutem para manter vivo este ícone de progresso e desenvolvimento que hoje pertence ao povo delmirense.

Por ironia do destino, o fechamento da Fábrica da Pedra no ano do centenário do assassinato de Gouveia simbolizará de forma melancólica mais três tiros fatais no peito deste homem que nunca desistiu de lutar. Que o legado de Gouveia contagie os homens de hoje que, em sua grande maioria, só “lutam” e “agem” em seu próprio benefício. Que eles, detentores dos poderes constituídos, usem-nos em prol da reabertura da Fábrica e devolvam à cidade e ao seu povo o orgulho de ser delmirense. Honrem os restos mortais do maior empreendedor do Nordeste brasileiro que a cidade guarda com respeito.