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Muitos leitores questionaram sobre qual seria a participação e envolvimento do cantor, Max David Moura Rodrigues, cunhado do ex-prefeito de Mata Grande, Jacob Brandão (PP), no esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 12 milhões dos cofres públicos de Mata Grande, já que a matéria Dos palcos para prisão: cantor-empresário é cunhado de ex-prefeito repercutiu Brasil afora. 

Só lembrando: ele continua preso - preventivamente - até que sejam concluídas às investigações ou não. 

Portanto, conversei - com exclusividade - com o promotor de Justiça, Carlos Davi Lopes Correia Lima, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para falar da Operação Ànomos na cidade do sertão de Alagoas. 

O Gaeco, ex-Gecoc, desencadeou, na última terça-feira (11), a Operação Ànomos, nos municípios de Maceió, Paulo Jacinto, Mata Grande e Santana do Ipanema. Promotores de justiça e policiais foram às ruas para cumprir 12 mandados de prisões preventivas e temporárias expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital em desfavor do ex-prefeito de Mata Grande José Jacob Gomes Brandão e de mais 11 pessoas.

Ao receber a ligação, de prontidão, o promotor Carlos Davi respondeu os questionamentos e esclareceu com exatidão qual era a participação do cunhado-empresário-cantor do ex-prefeito foragido da Justiça, José Jacob Gomes Brandão, o Jacob Brandão (PP). Ao ser indagado por este jornalista, Carlos Davi respondeu sem tergiversar.  

"Max David é um dos principais membros dessa organização criminosa (Orcrim) e um dos que mais lucravam nesse esquema criminoso na Prefeitura de Mata Grande. Ele ficou responsável por todos os shows, durante os oitos anos de Jacob Brandão, no Executivo municipal. Fazia - no mínimo - seis eventos grandes por anos na Prefeitura. Fora outras festas que a empresa dele era contratada", afirmou. 

Considerado "sócio" de bandas e artistas alagoanos, a exemplo da Xatrez - na qual é o vocalista principal , o cantor cresceu também no ramo empresarial e conseguiu - nos últimos anos - ser "sócio" de um escritório de promoção e produção de eventos e bandas/cantores,  a Open Music Entretenimento, além de comparte da casa de shows Match Maceió. 

O mais o interessante é que -  além de ser o "cara" das festas na cidade e vender (shows) bandas que faziam parte de seu 'casting' na empresa Open Music Entretenimento - o cantor também era proprietário da EP Transportes que, segundo o Gaeco, celebrava contratos fictícios com a prefeitura de Mata Grande como se estivesse locando veículos ao Poder Executivo. 

Ainda de acordo com o promotor, em depoimento obtido pelo MPE, junto aos colaboradores, ficou comprovado que haviam valores pagos ao então empresário Max David pelos contratos da EP. 

"Ele [Max] era vinculado à Prefeitura e lucrava de todos os lados. Era o dono da EP Transportes, onde ganhou bastante e, ainda recebia por parte de eventos/shows. O valor da EP repassado para ele é menor com o que ele faturou em eventos. Mas participava de todos os contratos com a Prefeitura. Ou seja, a constatação - no caso de locação - veio através de um dos caminhões que estava no nome do cantor. Ele também foi um dos beneficiários da EP", reforçou Carlos Davi. 

O mais interessante é que - durante oito anos de mandatos de Jacob Brandão (2009-2012 e 2013-2016) - o cunhado-empresário-cantor de Brandão se beneficiou de muito dinheiro do município sertanejo, através de licitações e contratações de várias empresas em nomes de outras pessoas, mas que eram comandadas pelo próprio Max David. 

"Todos os eventos patrocinados pelas empresas do Max eram desde a licitação até contratação final. Por ano, com as empresas que ele contralava, a exemplo da Geraldo Vasconcelos de Castro, houve um faturamento de R$ 1.300.000,00 (hum milhão e trezentos mil reais) por ano, só no período entre 2014 e 2015. Além de outras empresas que eram controladas para serem utilizadas em contratações e desvios de dinheiro em Mata Grande", reiterou. 

Por fim, quando o Blog indagou se - realmente -  o envolvimento dele estava ligado ao rombo de R$ 12 milhões dos cofres públicos de Mata Grande, o promotor Carlos Davi - sem titubear e com inteira certeza.

"O envolvimento dele [Max David] está comprovado e ligado aos desvios, fraudes e superfaturamentos nas contratações realizadas na gestão de Jacob Brandão. Isso, por exemplo, em estrutura, bandas, palcos, som e tudo que era ligado a parte de eventos na cidade. Foi Muito dinheiro desviado da Prefeitura de Mata Grande com festas/eventos, durante oito anos, entre os supostos proprietários das empresas, para prestação de serviços que não aconteciam. O Gaeco tem todas as provas de que o objetivo do bando era apenas desviar recursos públicos. Isso é absurdo!", finalizou o promotor do Gaeco, Carlos Davi Lopes Correia Lima. 

Portanto, lanchas, carros de luxo, mansões, fazendas...  e os estudantes mata-grandeses indo às escolas em carros paus-de-arara. 

Riquezas, luxos e mordomias às custas do sofrimento do Povo?