Pedro Neto/Cada Minuto 825260a0 2e42 47ab ab80 9ccd4020d4ef Delegados detalharam operação durante uma coletiva na manhã de hoje

A Polícia Federal detalhou, na manhã desta quinta-feira (10), o esquema utilizado pelo ex-prefeito de Canapi, Genaldo Vieira, para desviar R$ 8.625.000 de recursos originários do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FUNDEF). O ex-gestor utilizou um decreto de emergência para que o município pudesse realizar serviços sem a necessidade de realizar licitações.

As empresas Sonibrás, Cláudia Soares Pedro, KAP Locações e Serviços, A3 Comércio e Serviços e Jackson Alves da Silva Júnior-ME recebiam os recursos do município através de contratos para realizar serviços que nunca foram entregues, como transporte escolar, fornecimento de cestas básicas e até durante realização dos shows de réveillon de 2016.

O esquema destinou R$ 440.000 à empresa Claúdia Soares Pedro, que supostamente seria utilizado para adquirir 10 mil cestas básicas. No entanto, um empresário que trabalhava com animação de festas infantis foi utilizado para desviar os recursos. 

 “Ouvimos o empresário responsável pela Cláudia Soares para saber onde ele adquiriu as cestas e ele nos informou que foi através de outra empresa conhecida como Maceió Peixaria, cujo proprietário trabalha como palhaço. Esse outro empresário não tinha participação no esquema”, explica o delegado responsável pela operação, Antônio Carvalho.

Entre as cinco empresas, a KAP Locações e Serviços foi a maior beneficiária do esquema. De acordo com a PF, foram destinados R$ 4.200.000 para a realização de serviços de transporte escolar que nunca foram entregues, na cidade de Canapi.

“Esta empresa recebeu entre, em quatro dias, a quantia de R$ 2.100.000 para esse serviço. Para se ter uma idéia, hoje o município gastar cerca de R$ 300.000 mensais com o transporte escolar”, afirma o delegado.

Ainda de acordo com a PF, R$ 3.400.000 foram sacados em espécie e destinados a pessoas que os donos da KAP não sabem explicar quem são.

A empresa Sonibrás recebeu R$ 197.830 para realizar os serviços de limpeza de fossas, reparo de telhados e manutenção em ar-condicionado e outros R$ 44.600 que deveria ter sido utilizado na compra de produtos de hortifruti e granjeiros. Parte dos valores foi sacada e entregue a um terceiro que teria repassado o valor ao advogado do ex-prefeito.

Segundo a PF, a empresa Jackson Alves da Silva Júnior-ME foi contratada para realizar os shows de réveillon de 2016 no município, a suspeita é de que grande parte do valor foi entregue ao ex-prefeito.

A empresa A3 não recebeu recursos desviados do FUNDEF e teria sido contratada para os serviços de podagem de árvores e jardinagem no município, a PF também desconfia que estes serviços não tenham sido executados.

Desdobramentos

A operação foi um desdobramento da Operação Triângulo das Bermudas, Genaldo Vieira assumiu a prefeitura após o afastamento de Celso Luiz, mas acabou sendo afastado do cargo por desvio de recursos público. Além, disso ele foi acusado de ter mandado assassinar a esposa dentro de um salão de beleza na cidade de Paulo Afonso, na Bahia.

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, três ordens de sequestro de bens (apreensões de veículos que teriam sido adquiridos com o dinheiro desviado de Canapi). De acordo com a PF, ninguém foi preso, mas sete pessoas foram notificadas para pagar uma quantia que varia de R$ 10.000,00 a R$ 100.000,00 como fiança.

“A PF solicitou a prisão preventiva dessas pessoas, mas a Justiça Federal não concedeu o pedido. Todos já foram notificados e têm até 24h para realizar o pagamento da quantia, caso contrário, podem ter a prisão decretada”, concluiu o delegado.