Polícia Civil / Divulgação 13922075218423

Caio Silva de Souza, suspeito de ter provocado a morte do cinegrafista Santiago Andrade durante ato contra o aumento da tarifa de ônibus no Rio de Janeiro, na semana passada, foi preso na madrugada desta quarta-feira em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. Ele chegou à Cidade da Polícia, um conjunto de unidades policiais no Rio, acompanhado de agentes civis e federais por volta das 9h30.

Ele foi preso pelo delegado que investiga o caso, Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), do Rio de Janeiro. O suspeito foi encontrado sozinho e não reagiu. Caio, 23 anos, chegou ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, por volta de 8h45. De lá, ele foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, onde deve ser apresentado.? A equipe responsável pela prisão deve conceder uma entrevista coletiva à imprensa para detalhar a investigação que os levou a encontrar o suspeito.

Hergleidson de Jesus Moreira, recepcionista da pousada, afirmou que Souza havia se hospedado nessa terça-feira no período da tarde, com o nome de Vinícius Marcos de Castro. Como não estava trabalhando nesse horário, Moreira não sabe se o suspeito usou algum documento para se registrar.

Por volta de 2h do horário local (3h de Brasília), o recepcionista contou que chegaram à pousada quatro policiais civis, acompanhados do advogado e da namorada do suspeito. Após ela conversar com Caio, ele deixou o quarto acompanhado por dois policiais civis. Moreira disse que só descobriu quem era o então hóspede após fazer uma pesquisa na internet.

Foi o próprio delegado que entrou no quarto e anunciou a prisão. Ele estava acompanhado de Jonas Tadeu Nunes, advogado de Caio Silva de Souza e também de Fábio Raposo, homem que entregou o rojão para Caio durante a manifestação da quinta-feira.

Mauricio Luciano afirmou, segundo depoimento à GloboNews, que tinha informações por meio da inteligência que Caio Silva de Souza havia deixado o Rio de Janeiro em direção ao Nordeste na terça, logo após saber que sua prisão havia sido decretada.?

"A gente não tem a menor dúvida, através das provas testemunhais, dos vídeos, das provas técnicas, que foi ele quem acendeu e deflagrou o artefato que atingiu o cinegrafista da Rede Bandeirantes", garantiu o delegado. "Ele foi encontrado sozinho, dizendo que estava com fome e há dois dias sem dormir, muito assustado. E com a ajuda do advogado, ele se entregou e não ofereceu resistência à prisão."

O advogado afirmou, também segundo a emissora, que Souza seguia em direção ao Ceará, para a casa de um avô. O suspeito, no entanto, parou no meio do caminho, em Feira de Santana, depois de ser convencido a se entregar. Jonas Tadeu e a namorada do suspeito ajudaram nessa negociação. "O advogado ajudou no convencimento para que Caio não mais fugisse, e a namorada pediu para acompanhar porque seria a pessoa mais indicada para acalmá-lo no momento da prisão", disse o delegado Mauricio Luciano.

Jonas Tadeu declarou que seu cliente estava desesperado e com medo de sofrer represálias, por conta da repercussão do caso. "É um jovem miserável financeiramente, de baixo discernimento, com ideais de uma sociedade melhor", disse o advogado à GloboNews. "Ele nem sabia que aquilo era um rojão, ele encarava aquilo como alguma coisa que fosse fazer barulho, soltar fumaça. Ele não fez aquilo intencionalmente: queria fazer barulho, fazer bagunça, e infelizmente ocorreu isso. Foi uma irresponsabilidade, uma imprudência."

Procurado por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar – por uso de artefato explosivo e pelo crime de explosão, o suspeito era considerado foragido pela polícia desde que foi expedido um mandado de prisão temporária em seu nome, na noite de segunda-feira. O Disque-Denúncia lançou nessa terça-feira um cartaz com a foto do suspeito. Segundo informações, ele é morador da Baixada Fluminense e tem duas passagens pela polícia.

Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral

Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela secretaria no início da tarde de 10 de fevereiro, após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital onde ele estava internado no Centro de Terapia Intensiva.

O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

Raposo ajudou a polícia a reconhecer um segundo responsável pelo disparo do artefato que causou a morte do cinegrafista. O tatuador, preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, de acordo com o relato do delegado, que “eles se encontravam em manifestações" e que "esse rapaz tem perfil violento”.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na manhã do dia 11, uma foto do suspeito de ter acendido o rojão que atingiu Santiago Andrade. Caio Silva de Souza, 23 anos, tem duas passagens pela polícia e era considerado foragido desde que foi expedido um mandado de prisão temporária em seu nome. Fábio Raposo, que passou o rojão, reconheceu o autor do disparo a partir da imagem levada pelo delegado.

Procurado por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar – por uso de artefato explosivo e pelo crime de explosão, o suspeito foi preso na madrugada de 12 de fevereiro em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. De acordo com o advogado Jonas Tadeu Nunes, que também defende Fábio Raposo, Caio Silva de Souza seguia em direção ao Ceará, para a casa de um avô, mas foi convencido a se entregar. Ele não reagiu ao ser preso.?