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Depois de paralisada por falta de acordo entre prefeitura e moradores, a desapropriação de moradias na Vila Autódromo, zona oeste do Rio, para a construção do Parque Olímpico deixou uma marca inusitada na região: uma casa da favela foi demolida ao meio. O motivo é o desacordo entre mulher e marido que se separaram e passaram a ocupar partes diferentes do imóvel. Enquanto a mulher aceitou a indenização da prefeitura, o homem se recusa a sair da casa. Assim, metade da residência foi derrubada e a outra permaneceu intacta.

Luis Geraldo dos Santos passou a morar na parte dos fundos da casa, com três filhos e o neto. O pedreiro pediu R$ 100 mil de indenização, mas a prefeitura ofereceu R$ 36 mil e depois fez uma contraproposta de R$ 40 mil. O último valor oferecido pelo governo foi de R$ 50 mil.

— Eu passei um ano esperando pela indenização. Mas não aceitei esse valor e chamei um advogado. Ele disse que ou eu aceitava ou iria para um apartamento.

O espaço da casa em que Luis mora é limitado, com uma cozinha que ocupa um estreito corredor, um banheiro e um quarto pequeno onde dormem cinco pessoas. Alexandre Raimundo da Silva, que é advogado de famílias atingidas pelas desapropriações na Vila Autódromo, disse que o apartamento sugerido pela prefeitura do Rio vale o equivalente a R$ 250 mil. Como o imóvel não é cedido, a família teria que pagar, em parcelas, o preço da residência. Entretanto, se somadas as rendas mensais dos cinco integrantes da casa o valor não ultrapassa R$ 1.500.

De acordo com o advogado, o município cria um ônus para as famílias ao disponibilizar um apartamento com valor superior ao da indenização oferecida.

— Os moradores têm um imóvel quitado e estão sendo levados a aceitar uma residência como parte indenizatória que, na verdade, é uma dívida futura. É um débito e não um crédito.

A Secretaria Municipal de Habitação garantiu que o pagamento das parcelas dos apartamentos que ainda não foram quitados vai continuar sendo feito pela prefeitura.

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