Reprodução 14485758895207 "A aliança": senadores e Paes selam acordo

O senador Romário (PSB-RJ) é apontado em novo escândalo envolvendo a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Em troca de apoio do senador para o candidato de Eduardo Paes (PMDB-RJ) à sua sucessão na Prefeitura do Rio de Janeiro, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, teria ajudado a ocultar as informações referentes à conta de Romário na Suíça.

O senador deixaria de concorrer ao cargo em prol do secretário-executivo de Coordenação de Governo de Paes, Pedro Paulo Carvalho, que já foi acusado na polícia por ter agredido a sua ex-mulher. O secretário carioca chegou a dizer "quem não tem uma briga dentro de casa?", após revelação da segunda agressão à sua ex.

As informações foram reveladas em diálogo gravado entre o senador Delcídio do Amaral e o advogado Edson Ribeiro, que defende Nestor Cerveró na Lava Jato, ambos presos. Na conversa, Ribeiro revela um esquema de apoio à candidatura de Pedro Paulo à Prefeitura do Rio em que Romário seria beneficiado com a ocultação de sua conta em troca de não concorrer ao cargo em 2016.

Veja o diálogo a seguir:

Edson Ribeiro — Ué, fizeram acordo, né?
Delcídio do Amaral — Diz o Eduardo que fez.
Ribeiro — Tranquilo. Foi Suíça.
Delcídio — Foi?
Ribeiro — Tinha conta realmente do Romário.
Bernardo Cerveró — Tinha essa conta?
Delcídio — E em função disso fizeram acordo.
Ribeiro — Tinha dinheiro no banco que foi encontrado. Tira, senão você vai preso.
Delcídio — O que eu achei estranho, ele ter chegado. Eu perguntei “o que você está fazendo aqui, Romario? "Não, não, vim acompanhar o Eduardo"…
Ribeiro — Esquisito né? Essa é a informação que me deram.

A conversa começou após o senador justificar seu atraso devido à presença de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, em seu gabinete. O político carioca estava acompanhado de Pedro Paulo Carvalho e “Ferraço” [o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES)]. Segundo Delcídio, a visita teria sido motivada para a costura de um acordo entre Paes e Romário para que o senador não concorresse à Prefeitura do Rio de Janeiro em troca da ocultação de sua conta na Suíça. As informações são da revista Veja.

Guilherme da Costa Paes, irmão de Eduardo Paes, é um dos diretores do BTG Pactual. Neste ano, o banco brasileiro concluiu a compra do suíço BSI, onde o senador Romário teria suas contas. A ajuda teria ocorrido em troca do fornecimento de um documento do banco negando a existência de qualquer conta do ex-jogador no banco.

Após a revelação da gravação, Romário negou ter feito acordo com Paes para apoiar seu pré-candidato à prefeitura. O senador voltou a negar que tenha conta na Suíça. "Não sou responsável pelo que terceiros falam, apenas pelos meus atos. Assim sendo, deixo claro que não tenho nenhum acordo com ninguém e, infelizmente, o dinheiro não é meu. Digo infelizmente porque, com certeza, se fosse meu, seria fruto de muito trabalho honesto".

Romário confirmou a reunião com Delcídio, Paes, Pedro Paulo e com o senador Ricardo Ferraço no dia 4 de novembro, quando foi feita a gravação. Segundo o senador do PSB, o encontro se deu para tratar da votação do projeto de resolução do Senado (PRS 50/2015), já aprovado, que propôs o fim de barreiras à cessão de dívida ativa de Estados e municípios. "Qual a credibilidade do advogado de um bandido, corrupto e responsável por roubar uma das principais empresas do país?", questionou.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Eduardo Paes também confirmou que esteve no gabinete de Delcídio no dia 4 de novembro em busca de apoio para colocar em pauta e votar o projeto de Resolução do Senado. O prefeito reafirmou que o próprio veículo de imprensa que informou a existência de suposta conta de Romário na Suíça já desmentiu a informação e admitiu o erro. Na nota, Paes admite que "nunca negou que gostaria de ter o apoio político de Romário ao seu candidato à Prefeitura do Rio em 2016".