Caso Paulo Bandeira: Conclusão deve sair na próxima semana

  • carlinhos
  • 03/06/2009 02:52
  • Municípios

Após quase seis anos da morte do professor Paulo Bandeira, em Satuba, a setença dos seis acusados de envolvimento no crime pode sair na próxima segunda-feira. O processo, que já foi acompanhado por vários juízes e promotores, uma vez que na Comarca não há juiz titular, passou por uma fase de saneamento, que incluiu a convocação de todas as testemunhas e ainda, a realização de deligências.

Entre os acusados do crime estão o ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Morais, Marcelo José dos Santos, ex-chefe de gabinete, a doméstica Maria José dos Santos, Nanci Pimentel, ex–diretora da Escola Municipal Josefa da Silva e os policiais militares Ananias Oliveira Lima e Geraldo Augusto Santos da Silva.

Segundo o juiz responsável pelo caso, Sandro Augusto, a demora no andamento do processo ocorreu devido a grande quantidade de acusados e também porque um dos réus alegou que nem todas as testemunhas foram ouvidas e ainda, que dez deligências não foram cumpridas, argumentos que poderiam implicar na nulidade dos autos, quando ele chegasse ao Tribunal de Justiça. Após dar vistas ao Ministério Público
e ao Assistente de acusação, Everaldo Patriota, o magistrado designou novas audiências e solicitou que fossem apresentadas as alegações finais das partes envolvidas.

"O advogado do último réu está com o processo e tem um prazo de 5 dias para se manifestar, o que daria a possibilidade da minha decisão sair na próxima semana. Para mim a conclusão é uma questão de honra, devido ao tempo que esse caso vem se arrastando. Preferimos sacrificar dois meses com o saneamento do que perder mais um ano, graças às falhas processuais. Dependendo da decisão, os réus ainda terão direito a recurso mas acredito que se o Poder Judiciário for célere até o final do ano o caso será concluído".

Mesmo após tanto tempo de impunidade, a viúva do professor, Silene Bandeira disse que embora saiba que a justiça é falha e lenta ainda espera a condenação dos envolvidos no crime. "Temos que fazer tudo para gritar, mostrando nossa indignação porque a arrogância de pessoas que se julgam superiores destruiu uma família. Exigimos respeito á vida e á cidadania, porque o Poder Judiciário é uma instituição
pública que deveria cuidar da dignidade", desabafou.

O crime

O corpo do professor Paulo Bandeira foi encontrado carbonizado em seu veículo no dia 4 de junho de 2003, na zona rural de Satuba, após denunciar desvio de dinheiro do Fundo Nacional de Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), da Prefeitura de Satuba. Na época, Bandeira lecionava na Escola Municipal Josefa da
Silva Costa e era um dos professores mais combativos da unidade educacional.

Dos envolvidos no caso Paulo Bandeira, a doméstica Maria José dos Santos é acusada de indicar a localização do professor Paulo Bandeira para os seus assassinos. O envolvimento dela foi descoberto após a quebra do sigilo telefônico da sua residência. Nanci Pimentel, ex–diretora da Escola Municipal Josefa da Silva, é acusada de fornecer o horário de trabalho da vítima para o chefe de gabinete do prefeito

Adalberon de Moraes, Marcelo José dos Santos, indiciado como um dos autores da morte de Paulo Bandeira. Os policiais militares Ananias Oliveira Lima e Geraldo Augusto Santos da Silva, são acusados de terem amarrado e queimado Paulo Bandeira vivo em seu carro nas terras da Fazenda Primavera, em Satuba.