Sem base aliada, conselheiro fala só para oposição na AL

  • eduardocardeal
  • 12/06/2009 05:12
  • Política

Ao contrário do anunciado pela base governista, que confrontaria as informações do relatório do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) (Leia reportagem), Pedro Lino, em audiência pública na Assembleia Legislativa, às 10h desta quarta-feira, 10, os deputados situacionistas se retiraram da Casa, quando o presidente da Comissão de Finanças, Luiz Augusto (PP), fechou a sessão sob alegação de que Lino, atrasado, teria ultrapassado o prazo regimental, que é de 15 minutos.

O conselheiro chegou com atraso de mais de 20 minutos e acabou falando em caráter não-oficial somente para a oposição durante cerca de quatro horas. Enquanto isso, os governistas preferiram ir até o Tribunal de Contas do Estado (TCE) pedir ao presidente do órgão, Manoel Castro, que colocasse sob suspeição a atitude de Pedro Lino, de publicizar seu parecer prévio rejeitando as contas do Executivo do exercício de 2008. Na opinião dos governistas é uma pirotecnia para politizar o momento que antecede a apreciação final das contas de governo.

Diferente do que esperava a base governista, o presidente Manoel Castro defendeu o conselheiro Lino, mais uma vez, dizendo que é decisão da Casa tornar cada vez mais transparente o diálogo com a sociedade. E que este seria "o estilo" de Lino que diz ter o direito de responder a quem contesta o que ele afirma em seu parecer. Isso ao tempo em que na Assembleia, a "conferência" de Lino para a minoria, auditores e imprensa fortaleceu o discurso oposicionista sobre "descontrole nas contas" e "baixa execução orçamentária".

“Má gestão” –  Lino disse que há problema sério de má gestão que "beira ao surrealismo". O conselheiro criticou duramente a gestão financeira do governo Wagner.

"Estou estupefato. Ninguém podia imaginar que uma coisa dessas estivesse acontecendo no Estado. O que houve foi uma retirada fraudulenta dos dados do sistema financeiro. Ao contrário de ter quase R$ 1 bi em caixa, como anunciado, o governo tinha um déficit de mais de R$ 300 milhões. Isso é crime, o que me motivou a desaprovar as contas", disse Lino, reafirmando que o tripé que o teria levado pela rejeição, além do crime citado, seria formado também pela baixa execução orçamentária (59%) e metas não cumpridas em consonância com Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual.

Sem contestação – O conselheiro fez o discurso e a base governista não estava lá para contestar as informações. A decisão de fechamento da audiência desagradou a oposição que dia anterior tinha aprovado requerimento solicitando a presença de Lino na Casa para tratar do teor do relatório no âmbito da mesma Comissão de Finanças.

O deputado Luiz Augusto  disse que tomou a decisão correta e que não poderia agir "com dois pesos e duas medidas". "Dia anterior utilizei do mesmo expediente abrindo a sessão porque tinha quórum, com isso desagradei o governo. Hoje (quarta-feira) derrubei a audiência porque a pessoa que seria ouvida não compareceu em tempo hábil“.