Lula defende pulverização de verba de publicidade

  • eduardocardeal
  • 14/06/2009 02:26
  • Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem durante discurso que vai manter a pulverização dos recursos da publicidade do governo por ser uma forma de "democratizar" a distribuição da verba.

Lula falava sobre projetos do governo para a cultura e a educação, quando mencionou que isso também ocorre com a publicidade em seu governo.

"Nós estamos fazendo isso [pulverização] na cultura, a imprensa sabe que nós estamos fazendo isso na publicidade do governo federal. Não tem essa de fazer em duas ou três emissoras, vamos fazer em todas as [emissoras em] cidades pequenas, onde tiver, em jornais pequenos, onde tiver, para que a gente possa garantir que a democracia seja exercida na sua plenitude", disse ele em Lagarto (a 90 km de Aracaju), município com 88.980 habitantes.

Reportagem de maio da Folha mostrou que a publicidade oficial do governo Lula teve como padrão a pulverização.

Em 2003, ano em que o presidente assumiu, 499 veículos de comunicação recebiam recursos para divulgar propaganda do governo federal. No ano passado, foram 5.297 --um aumento de 961%.

O governo alega se pautar por critérios técnicos na distribuição de recursos, embora não divulgue a relação dos veículos em que anuncia.

No início do governo Lula, a publicidade oficial atingia 182 municípios. Agora, são 1.149.

Embora a estratégia de distribuição de verba tenha mudado, o orçamento total destinado por Lula a publicidade não se alterou de forma significativa. Assim como na gestão do tucano Fernando Henrique (1995-2002), oscilou sempre entre R$ 900 milhões e R$ 1,2 bilhão por ano -sem levar em conta patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.

Embora Lula tenha tratado a questão como uma forma de exercer a "democracia plena", trata-se de uma política de marketing do governo. Críticos avaliam que o governo atrai a simpatia de veículos menores com a verba que lhes destina.

Lula também defendeu o projeto do Ministério da Cultura de fazer com que os recursos da Lei Rouanet, de incentivo à cultura por meio de benefícios fiscais, cheguem a todo o Brasil --e não só aos maiores centros de produção cultural.

"Nós não queremos tirar nada de São Paulo e do Rio, porque são dois Estados muito importantes para o Brasil. Mas nós queremos estender os direitos da Lei Rouanet para que a gente possa levar todo o investimento da cultura também para os Estados do Norte e do Nordeste", afirmou o presidente.