Caso Andresson: Após 16 anos de impunidade família perde as esperanças

  • carlinhos
  • 17/06/2009 03:31
  • Polícia

Após desesseis anos, o desaparecimento misterioso do músico Andresson Silveira, 20, até hoje não foi esclarecido e ainda causa um sentimento de impunidade entre os familiares. O músico foi sequestrado na porta de casa no dia 22 de maio de 1993, em Jacarecica e na época, o ex-corregedor da Polícia Civil do Estado de Alagoas, João Vieira Guimarães foi acusado de ser o mandante, já que sua filha namorava com o rapaz há dois anos, contra a vontade dele.

A cantora Nara Cordeiro, mãe de Andresson, acredita que o corporativismo da polícia foi o principal motivo para que o crime não fosse solucionado, já que nunca encontraram o corpo e não havia testemunhas, levando ao arquivamento do inquérito pela Polícia Civil. Ela contou que na época, os famíliares buscaram todos os meios para ajudar a resolver o caso, mas nunca tiveram uma resposta, devido à conivência de policiais com o acusado.

"Após tanto tempo não tenho esperanças de que o sequestro e a morte do meu filho sejam esclarecidos, porque muita gente dificultou as investigações. Na época do sequestro, a filha do corregedor estava grávida e foi obrigada a fazer um aborto. Se o processo for reaberto pretendo contribuir, mas confesso que a família não tomará a iniciativa", desabafou a cantora.

Em maio deste ano o diretor da Fundação Cultural Afonso Arinos, Pedro Paulo protocolou requerimento solicitando à Comissão Nacional de Justiça informações sobre o andamento do processo. "A sociedade alagoana se sentiu impotente diante desse crime e ainda espera uma resposta. O CNJ informou que houve arquivamento e apenas a família poderia pedir a reabertura. Por fazermos parte do movimento negro desejamos que o caso seja esclarecido, porque ele foi motivado por discriminação racial", ressaltou.

Manifestações sobre o caso

Desde que o filho desapareceu, Nara Cordeiro e a família passaram a realizar um movimento pacífico todas as quintas-feiras, com cartazes e fotos de Andresson para chamar a atenção e cobrar o esclarecimento do crime.

Em 2003, por motivos profissionais e de saúde, ela suspendeu a manifestação, mas prometeu que a população ainda ouviria falar no caso. No mesmo ano, uma correspondência anônima, apresentada pelo advogado Everaldo Patriota, afirmava que assim como outros, o corpo do músico teria desaparecido do Instituto Médico Legal.

Em 2001, através de um depoimento dado à imprensa pela advogada Ana Cícera, mãe de Sebastião Arruda Júnior, suposto executor do músico, teria motivado a tentativa de reabertura do inquérito. Mas, o Supremo Tribunal de Justiça não aceitou a nova denúncia, por ela ter sido oferecida apenas com a transcrição de notas de jornal.

A advogada procurou a imprensa afirmando que o filho teria lhe confessado que cometera o assassinato a pedido do ex-corregedor Guimarães.

Ela disse que a recompensa havia sido um curso de aviação civil no Rio Grande do Sul e que seu filho também desapareceu misteriosamente, e poderia estar morto.

Já em fevereiro de 1999 o policial civil José Cícero da Silva, conhecido por "Cícero Cassiano" e três irmãos foram presos por agentes do Comando de Operações Táticas da PF, acompanhados do diretor do Departamento Central de Polícia, Mário Pedro dos Santos.

José Cícero foi acusado de envolvimento no sequestro, morte e ocultação do cadáver, que estaria enterrado em um cova-rasa nas terras pertencentes ao pai dele, em Ipioca.