Percentual de brasileiros que usa preservativo é muito pequeno

  • eduardocardeal
  • 19/06/2009 03:27
  • Saúde

 O brasileiro tem consciência da importância do uso de preservativo e dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), especialmente a Aids. Mas, daí a passar do conhecimento para a prática e os cuidados, há um abismo. Dados de pesquisa do Ministério da Saúde sobre o comportamento sexual do brasileiro indicam isso claramente. Afinal, 96,6% conhecem os riscos e estão bem informados. Porém, apenas 45,7% usam o preservativo – este índice era de 51,6% em 2004.

– A gente observa muito isso na prática do atendimento. As pessoas sabem dos riscos, mas descuidam da proteção – diz a médica Celina Boga, do Centro de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Segundo a diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, apesar das campanhas de conscientização do governo, é difícil uma intervenção mais direta nestas questões.

– Quando se fala de cigarro ou de álcool, o governo tem como impor restrições à venda ou à propaganda. No caso da vida sexual de uma pessoa, não há como agir diretamente, como intervir – comenta a diretora.

Mesmo assim, a pesquisa, segundo Mariângela, mostra que há avanços por parte da sociedade. Nos últimos 10 anos, o percentual dos que usam camisinha na primeira relação sexual com um parceiro aumentou de 52,8% para 60,9%.

– E o mais interessante é que os jovens, entre 15 e 24 anos, são os que usam mais a camisinha. Afinal, eles cresceram num mundo onde a Aids é uma realidade. Eles ouvem alertas em casa, nas escolas, na televisão – comenta a médica.

Segundo ela, à medida em que as pessoas vão ficando mais velhas, com relações mais estáveis, o uso do preservativo cai.

– O problema é que o fato de terem relações estáveis não significa que sejam monogâmicos. E quando ocorrem relações extra-conjugais, a maioria (63%) não usa preservativo – comenta Mariângela.

Barreiras

Segundo Celina Boga, da Fiocruz, pessoas casadas têm dificuldade de propor o uso do preservativo:

– Se a mulher está preocupada e pede o uso do preservativo, ela é questionada. O parceiro pode achar que ela está sendo infiel ou que está questionando sua fidelidade.

Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas usem camisinha em 100% das relações fora do casamento, para proteger seus parceiros fixos. Porém, 63% dos que têm relações estáveis não usam o preservativo nas relações casuais. Entre os homens, este índice é de 57%. Entre as mulheres, de 75%.

Segundo Mariângela Simão, a incidência da Aids se estabilizou no país nos últimos anos. Mas o patamar ainda é alto: são 33 mil novos casos anualmente – e 11 mil mortes.

O Sistema Único de Saúde tem 190 mil pessoas em tratamento. Elas utilizam um coquetel de 18 medicamentos, oito deles fabricados no Brasil. O mais usado, o Efavirenz, por 90 mil pacientes, tem licença compulsória desde 2007.

– A sobrevida aumentou muito no Brasil. Mais da metade dos pacientes está viva após nove anos.

O tratamento da Aids no Brasil é gratuito. No Rio, é feito em unidades credenciadas da rede municipal de Saúde, hospitais universitários e hospitais de centros de pesquisa como a Fiocruz.