Maria Maia / Cada Minuto 84cbd757 3ce0 4ad6 88a0 2ffcc76c2d36

A família de José Márcio Cavalcante, o Baixinho Boiadeiro, afirmou, em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (21), que está sendo prejudicada pela Justiça e que quer apenas o direito de ampla defesa. A advogada Mabylla Loriato, contou que após a perícia realizada na arma de Baixinho, entregue na segunda-feira (12) para exame de balística, provar que o tiro que matou o vereador de Batalha Tony Carlos Silva de Medeiros, conhecido como Tony Pretinho, não partiu da mesma, a polícia voltou a fazer novas acusações.

Segundo a advogada, os peritos oficiais divulgaram o laudo em que constataram que a arma de Baixinho Boiadeiro, uma 45mm, não era compatível com os projéteis encontrados no local do crime, que correspondem a um calibre 9mm. Mabylla Loriato contou que no último domingo (18) a polícia foi até a casa da família, com mandado de busca com outras acusações, entre elas roubo a banco e tráfico de drogas.

Loriato afirma que no mesmo dia em que o laudo da perícia que comprova que a inocência de Baixinho com a morte de Tony Pretinho, um dos delegados da comissão que integra as investigações do crime, pediu um mandado alegando novos crimes que, segundo ela, são infundados.

“Nós já estávamos tranquilos por temos esclarecido isso, e já havíamos conversado, inclusive, com o delegado Paulo Cerqueira e outras pessoas, sobre a apresentação do Baixinho, para que ele possa se defender e responder pelo que ele fez. Não pelo que ele não fez. Quando foi domingo, a polícia chega e arrebenta a porta de todo mundo de novo, da casa da família Boiadeiro, em Batalha, dos amigos, dos vizinhos, agora sob a alegação de roubo a banco, tráfico de drogas, roubo de carro, roubo de carga. Não existe nenhuma prova nesse sentido”, afirma a advogada.

Para a família, o mandado foi expedido sem qualquer base, sem nenhuma investigação ou indício de nenhuma participação da família em algum crime, haja vista que desde o anúncio da acusação do Baixinho Boiadeiro ter participação no assassinato de Tony Pretinho, foram feitas buscas e nunca encontraram nada de ilícito.
A advogada disse que quando alegaram que Baixinho teria participação no crime, entrou em contato com o delegado, que informou que não havia concluído as investigações, diferente do que foi dito em coletiva.

Mabylla disse que marcou com ele um dia para apresentar as provas de que Baixinho era inocente, mas a data foi marcada, adiada e nunca mais remarcada. De acordo com a advogada, as mensagens enviadas via rede social, assim como os requerimentos feitos ao delegado e ao promotor de justiça foram encaminhadas a uma juíza como antecipação de provas, o que foi negado, e a partir daí, os problemas começaram. “Pedi vistas ao processo e o pedido foi negado, tive que entrar com um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça, pois nós tínhamos certeza da inocência de Baixinho”, completou.

Durante a entrevista, a irmã de Baixinho, Bahia Boiadeiro, disse que a família está disponível para entregar qualquer tipo de prova e disponibilizar contas pessoais e telefônicas para investigações.  Bahia citou a juíza da 17ª Vara, Lorena Sotto-Mayor, e disse que ela pode investigar a vida da família, que eles estão dispostos a provar que novas as acusações feitas não são verdadeiras.

“A nossa vida está aqui pra ela investigar, que aqui ninguém é bandido não. Estão aqui nossa contas bancárias, os telefones e fazendas disponíveis. Ela pode ir em Batalha, do Agreste ao Sertão alagoano, e investigue para provar o que esses delegados estão dizendo. O que queremos é que a Justiça, pelo menos, fique do nosso lado. Nós somos as vitimas. De um ano para cá, nós perdemos o pai e não tivemos nem direito de ter um luto, porque a Justiça, a polícia de Alagoas, o Estado, não está deixando a gente viver em paz. Vamos ter que acampar na porta do Ministério Público em Brasília, pra ver se lá tem alguma ordem para Alagoas. Vai terminar morrendo todo mundo e ninguém toma providências”, declarou Bahia Boaiadeiro.

A família também contou que o ministro da Segurança Pública e o ministro da Justiça já foram comunicados, pois temem por suas vidas.

“O que nós queremos é que a Justiça seja imparcial e analise a veracidade das informações que os delegados levam até ela. Que ajam pela busca da verdade real e com imparcialidade, porque o que eu estou vendo é autoridade policial induzindo o judiciário a erro. Porque eu não vou dizer que a juíza sabia que a arma do Baixinho era 45mm, quem fez a investigação foi o delegado, que é quem deveria ter apurado de quem era cada arma. O Juiz e o Ministério Público recebem as informações que chegam a eles. Só que se as autoridades não estão agindo com imparcialidade, cabe a  eles olhar com cautela e atenção antes que mais alguém venha a morrer injustamente”, concluiu Mabylla Loriato.

De acordo com a família Boiadeiro, a polícia está criando acusações porque os familiares estão tentando provar a inocência de Baixinho e devido as provas que "desmascaram" o inquérito. "Estamos sendo acusados porque estamos tentando provar a inôcencia do Baixinho. E foi provado que não foi ele, e os delegados não estão  aceitando que o inquerito que concluiram de safadeza foi desmascarado", disse Bahia Boiadeiro.