Cápsulas para queimar gordura não têm comprovação, alertam especialistas

  • annaclaudia
  • 20/06/2009 07:28
  • Saúde

Na guerra contra a balança, suplementos alimentares que prometem queimar gordurinhas e afinar a cintura são hoje febre nas academias. Mas todo cuidado é pouco na hora de buscar atalhos rumo ao corpo ideal. Enquanto substâncias como o Ácido Linoleico Conjugado (CLA) estão proibidas pela Anvisa desde 2007, produtos a base de óleo de cártamo prometem eliminar progressivamente a gordura. Segundo especialistas, no entanto, não há comprovação científica desses efeitos.

“A cada ano aparecem dez produtos que prometem ajudar no emagrecimento. É tudo exploração dessa busca de alguma solução para o problema do peso”, explica o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

“Não há estudo que comprove que queime gordura. Isso já é exploração ao consumidor, vendem para pessoas desavisadas”, completou.

Ainda segundo o médico, apesar de não haver prejuízos à saúde – dependendo, é claro, da quantidade ingerida – o principal dano é o fato de a pessoa consumir um produto pensando, em vão, que ele a ajudará a emagrecer.

Em lojas especializadas na venda de suplementos, a procura é grande e o preço, salgado. Entre os produtos nas prateleiras está o Linolen, da Nutrilatina, que em Copacabana, na Zona Sul do Rio, um vendedor afirmava na última quarta-feira (10) estar com “preço bom”, entre R$ 99 e R$ 112. “Para emagrecer, é um dos que mais sai”, dizia.

Promessa de emagrecer pode gerar multa, diz Anvisa

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto de fato tem registro, mas na categoria de “Novos alimentos ou ingredientes”. Ainda segundo a agência, o produto não pode fazer nenhuma alegação de propriedade funcional ou para saúde, como, por exemplo, o auxílio no emagrecimento, por não haver comprovação científica.

Caso isso ocorra, esse tipo de “promessa” é considerada uma infração sanitária, com pena que vai de uma simples advertência ou notificação a multas de até R$ 1,5 milhão.

Em seu site oficial, a Nutrilatina descreve que os “os bioativos de Linolen atuam diretamente na redução de gorduras, acelerando a perda de peso e auxiliando na definição de grupos musculares”. O produto é apresentado ainda como “a solução tecnológica para redução da circunferência da cintura, através da eliminação progressiva da gordura”.

Procurada pelo G1, a empresa alega, em nota, que “a Nutrilatina prima pela excelência na criação e veiculação das peças publicitárias, no sentido de estar sempre em consonância com a legislação aplicável, assim como de fornecer elementos para subsidiar a regulamentação do respectivo mercado”. A empresa informa ainda que investe significativa parcela de sua receita em pesquisa e desenvolvimento.

CLA é proibido desde 2007

De acordo com a Anvisa, o óleo de cártamo é uma matéria-prima usada para produção sintética do ácido linoleico conjugado (CLA), devido à quantidade elevada de ácido linoléico (ômega 6). O CLA, no entanto, é uma substância não permitida na área de alimentos da Anvisa, por não haver comprovação da segurança de seu uso, além de sua eficácia. A apreensão de todos os lotes de produtos à base de CLA foi determinada em 28 de março de 2007, pela Resolução nº 833.

Para conseguir registro junto à Anvisa, o óleo de cártamo deve apresentar um laudo que comprove que o CLA não foi adicionado, produzido ou concentrado durante o processamento do óleo.

Entre os fatores que levaram a Anvisa a proibir sua comercialização estão evidências científicas de que a suplementação com CLA pode causar efeitos adversos, como aumento do fígado.

Endrocrinologista alerta que não há milagre

O endocrinologista Walmir Coutinho alerta que ainda não há milagre quando o assunto é emagrecer. Segundo ele, os remédios e suplementos devem ser usados dentro de um tratamento, sempre receitados por médicos e nutricionistas.
“Os remédios que temos hoje ajudam a pessoa a comer menos e a bloquear a absorção de gordura. O que a pessoa precisa para emagrecer é um tratamento como um todo”, explica.

O professor de musculação Affonso Montenegro também faz coro contra o uso de suplementos:

“O custo-benefício de certos remédios não é bom. A gente orienta as alunas a não tomar”, diz.