Decisão da Justiça deve mudar cursos de jornalismo

  • antoniomelo
  • 21/06/2009 10:17
  • Brasil/Mundo
O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), deve aumentar a qualidade dos cursos e trazer mudanças nas grades curriculares ou nas opções de formação oferecidas.

A opinião é de professores e diretores dos principais cursos de jornalismo do país. Para muitos deles, a decisão irá "reestruturar a categoria".

À frente das escolas de jornalismo, especialistas preveem a oferta de mais opções de pós-graduação na área e até a possibilidade de uma volta ao currículo em que os alunos faziam primeiro disciplinas humanísticas e, nos últimos anos da graduação, as disciplinas práticas.

A opção abriria a chance para pessoas com formações em outras áreas cursarem uma habilitação em jornalismo, mais curta que um curso universitário integral. Todas essas possibilidades estão em discussão no Ministério da Educação, onde um grupo vem estudando modificações nos currículos.

Hugo Santos, diretor de Comunicação e Artes da Estácio Ensino Superior, aposta em cursos mais tecnológicos e ampliação das opções de pós-graduação em jornalismo.

O professor José Marques de Melo, que atua na Universidade Metodista de São Paulo, vê nos mestrados profissionalizantes uma tendência, como ocorre nos EUA. Apesar disso, ele defende a boa formação de jornalistas generalistas, para que os jornais atendam a um público cada vez mais amplo.

A valorização da formação universitária específica na área e a procura por vagas oferecidas nos vestibulares não devem sofrer modificações, dizem professores e diretores.

Muitos comparam o futuro de seus cursos ao que já ocorre na publicidade --profissão na qual o diploma não é uma exigência. "Os empresários da publicidade procuram estagiários e profissionais com formação na área e a procura pelos cursos é muito alta", diz Ricardo Schneiders, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

José Luiz Proença, da Escola de Comunicação e Artes da USP, lembra que os cursos de jornalismo são anteriores ao decreto-lei de 1969 --parcialmente derrubado pelo STF. "No tempo anterior à obrigatoriedade [do diploma], os cursos já tinham procura", diz.

Leonel Aguiar, coordenador do curso de jornalismo da PUC-RJ, diz que os cursos "com excelência acadêmica" continuarão sendo procurados pelos que querem se iniciar na profissão.

"Quem tem talento e quiser ser um bom jornalista vai aproveitar muito se escolher um bom curso", afirma Carlos Costa, coordenador de Jornalismo da Cásper Líbero.