Douglas Brandão Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Placas fotovoltaicas instaladas na comunidade Alto dos Coelhos na cidade de Água Branca, Alagoas.

O Minuto Sertão foi conhecer um projeto na cidade de Água Branca que busca colocar a mulher como protagonista no campo. Trata-se do “Ser Tão Mulher”, que transforma a vida das mulheres sertanejas através da agroecologia. Com a utilização de placas fotovoltaicas instaladas no terreno das famílias é produzida energia para levar água do canal do sertão para irrigar a plantação. Acompanhe na reportagem especial.

 

Toda semana, Cleonice vem para a cidade vender frutas e legumes. A clientela garantida ajuda a aumentar a renda da família. A produção vem do sitio onde mora. Ela planta de tudo o ano inteiro. Nem parece que estamos em água Branca no sertão de Alagoas onde a chuva é escassa. Toda essa fartura existe porque o projeto Ser Tão Mulher uniu as forças da natureza, da água e das mulheres sertanejas para mostrar o potencial que elas têm na sociedade e na agricultura familiar. São 207 mulheres que estão aprendendo a lidar melhor com a plantação ao mesmo tempo que ganham autonomia e valorização.

O projeto implanta no terreno das famílias um modelo produtivo agroecológico onde a mulher é protagonista no campo. São nove unidades produtivas baseadas na agroecologia. São várias plantas, frutas e legumes cultivadas e que são irrigadas com a água do canal do sertão. Para levar a água até a plantação, é utilizada energia solar. Com a ajuda do São Francisco, as mulheres do projeto podem plantar o ano inteiro.“A importância é que a mulher está trabalhando no dia a dia e ainda trás uma renda pra gente, né.” Disse a agricultora Cleonice Ricardo.

Em cada unidade produtiva há 7 placas solares que produzem energia para bombear a água do canal e irrigar a plantação. A ideia é do instituto terra viva que é focado em agroecologia. “Só o fato de ter um projeto com esse nome já traz uma inovação em relação ao protagonismo delas. Nossa ambição no melhor sentido da palavra é que isso se difunda cada vez mais, que o poder público se sensibilize com o trabalho das mulheres e com todo potencial que essa região tem.” Disse o coordenador do projeto João Itácito.

A agricultora Cláudia participa do projeto há dois anos e aprendeu a manejar o solo e produzir mais. Além de ganhar conhecimento, também se sente valorizada. Antes era bem diferente, a gente plantava do jeito que a gente achava que era certo, mas não era. Foi muita coisa que mudou. A mulher quem praticamente fez toda a parte do plantio. O Sertão Mulher foi bem melhor porque valorizou a mulher, em muita coisa valorizou.” disse.

A estudante de agroecologia Carolaine tem 20 anos e também participa do projeto com o intuito de ajudar a família que vive no campo. A gente que mora na zona rural, o aprendizado da família é um, a gente vindo pro instituto já é outro, então quando a gente vem volta com novas experiências, novos aprendizados e a gente passa pra eles. “

Para a agente de campo, Erica Priscila, as mulheres estão bastante felizes com o projeto. “Elas estão tendo lugar na agricultura, porque geralmente no meio rural a mulher serve mais pra ser dona de casa e hoje ela tá tendo seu papel, tá sendo empoderada, sendo vista e valorizada, ganhando conhecimento, ganhando renda, tendo o espaço dela na agricultura.”

O projeto não dá as mulheres apenas possibilidade de trazer renda para casa mas de mostrar que elas são capazes de estar onde quiserem. Podem ser trabalhadoras do campo, podem ser mães, podem ser fortes, podem Ser Tão Mulher.