Na terra do maior diamante do mundo, Dunga quer lapidar seleção com título

  • master
  • 27/06/2009 22:56
  • Esporte
Alguns já são diamantes lapidados, que valem milhões de dólares. Outros são joias descobertas recentemente, na África do Sul, e prontas para garantir um lugar na Copa do Mundo. A cerca de 100 quilômetros do local onde foi encontrado o maior diamante da história, a seleção brasileira enfrenta os Estados Unidos na decisão da Copa das Confederações neste domingo, às 15h30m (de Brasília). No estádio Ellis Park, em Joanesburgo, Dunga corre atrás do segundo título no cargo. O momento ideal para o técnico, campeão da Copa América em 2007, mostrar que o trabalho de garimpo de jogadores está no caminho certo para 2010.

Terceiro reserva em 2006, Julio César é unanimidade no gol. Na lateral direita, dois gigantes brigam pela vaga de titular: Maicon e Daniel Alves. Miranda firmou-se como reserva na defesa, liderada pelos experientes Lúcio e Juan. André Santos e Kleber surgiram como principais opções na esquerda, ainda órfã de Roberto Carlos. No meio, Felipe Melo e Ramires deixaram as desconfianças de lado e viraram pontos de referência. Entre os atacantes, Luís Fabiano assumiu a camisa 9 e Alexandre Pato é a joia a ser lapidada para 2014. Kaká e Robinho são os diamantes mais valiosos.

A África do Sul é o terceiro maior produtor de diamantes caros, atrás de Botswana e Rússia (a Austrália é a maior em quantidade, mas não em valor). A maior pedra do mundo foi encontrada em 1905 no país, em Cullinan, pesando 621,2 gramas. A extração das pedras preciosas lembra o futebol. Ainda crianças, os jogadores são observados e os que têm valor (talento) vão sendo aprimorados

- A primeira coisa a ser feita ao achar um diamante é saber se ele tem valor. A pedra é vendida antes de ser polida. Os grandes diamantes são cortados e vemos dentro dele se há valor ou não. Às vezes, ele é grande, mas tem pouco valor – disse a guia Fran Bresler, que há nove anos mostra a mina Cullinan, sobre os diamantes, como se falasse sobre jogadores.

A mina Cullinan é a mais antiga em atividade no planeta, fundada em 1903. Possui 70 quilômetros de túneis, produz três milhões de toneladas por ano e tem 450 metros de profundidade. Porém, a maior pedra estava apenas nove metros dentro da terra: o Diamante Cullinan, que foi cortado em nove joias grandes e 96 pequenos brilhantes, pertencentes à família real britânica. Algumas estão na coroa da rainha Elizabeth II. O garimpo de Dunga começa bem antes:

- Quando está na barriga da mãe, o brasileiro já começa a chutar. Quando anda, chuta lata, pedra, qualquer coisa – brincou o treinador, que sabe que os 23 da Copa das Confederações largaram na frente para o Mundial.

- Não temos muito tempo para jogos, experiências. Temos que estar preparados psicologicamente. O jogador tem que observar o jogo como profissional, não como torcedor. Saber onde se inserem bem as suas características. Fazer a diferença quando entrar em campo. Todo jogador que entra está fazendo a diferença – lembrou o capitão do tetra, que sempre diz que não há titulares e reservas na sua equipe.Os diamantes eram raros até serem descobertos na África do Sul no século XIX. No ano passado, na mesma mina Cullinan, foi encontrado o diamante azul mais valioso do mundo, com 7,03 quilates. É menor do que uma moeda de um centavo. Em março deste ano, a pedra foi leiloada em Genebra, na Suíça, por cerca de US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 19 milhões). Atualmente, a joia mais cara vendida na loja da mina custa US$ 50.634 (R$ 102 mil).

O futebol brasileiro também não para de produzir preciosidades. Ramires foi a última descoberta na seleção. Vendido por US$ 7,5 milhões (R$ 15 milhões) pelo Cruzeiro ao Benfica antes da Copa das Confederaões, o meia já está bem mais valorizado com o bom desempenho no torneio. - Não sei o meu valor agora (risos). Isso não é comigo - disse o jogador.

Cerca de 30 toneladas de diamantes são extraídas anualmente no planeta. A maior parte vai para as indústrias, e não para joalherias. Por causa de seu grau de dureza, as pedras são usados para cortar ferro e aço, serrar pedras, polir, moer e raspar diversos tipos de instrumentos. O diamante utilizado pelas indústrias, lógico, é o de menor valor comercial. Custa em média US$ 4 (R$ 8) o quilate, contra US$ 1 mil (R$ 2 mil) dos usados para as joias.

Autor de três gols na Copa das Confederações, Luís Fabiano se valorizou. O Sevilla, com quem tem contrato por mais dois anos, preferiu não fazer leilão e estipulou os direitos federativos do atacante em 30 milhões de euros (R$ 81,3 milhões). O atacante está empatado com os espanhóis Fernando Torres e David Villa na briga pela Chuteira de Ouro, prêmio dado pela Fifa ao artilheiro da competição. Após um período de desconfiança na seleção, o Fabuloso é o dono da camisa 9.

- Antes, não tive oportunidade. Quem estava aqui era o Ronaldo, era difícil jogar. Ele vivia um bom momento, fazendo gols, era o melhor do mundo. Agora tenho oportunidade, sequência, estou mais maduro e vivo fase excelente na Espanha. Tudo isso influencia no trabalho dentro de campo. Mas o fator principal é ter oportunidade, sequência. Estou tranquilo, tenho a confiança do treinador e isso é o mais importante – disse o atacante. Os Estados Unidos são um rival conhecido. Na primeira fase, o Brasil venceu por 3 a 0, sem problemas. Foi nesse jogo que Ramires, Maicon e André Santos ganharam a vaga de titulares, depois de Elano, Daniel Alves e Kleber terem atuado na estreia contra o Egito (4 a 3).

- Venho aproveitando cada dia, cada treino, cada momento. Sempre agradeço ao Dunga pela confiança. Meu objetivo era brigar por uma oportunidade, sei que há jogadores qualificados, mas desde que cheguei lutei por isso. Não posso fizer que já carimbei o passaporte para a Copa. É o sonho de cada um, o meu também – afirmou André Santos.

Se for campeão, o Brasil passará a ser o maior vencedor da Copa das Confederações com três títulos (1997, 2005 e 2009), deixando para trás a França, que tem dois. Nos EUA, o único desfalque deve ser o meia Michael Bradley, filho do técnico Bob Bradley, expulso na semifinal contra a Espanha. Depois de duas derrotas no início da Copa das Confederações, para Itália e Brasil, os americanos tiveram grande recuperação no torneio e esperam fechar sua participação ganhando o maior título da história do futebol no país.

- Para nós é um dia muito especial. É nossa primeira final de um torneio mundial e enfrentar o Brasil também é importante, por toda a história do futebol brasileiro. Nossa chegada não foi por acaso, este é o resultado do esforço de muitas pessoas que colocaram o coração para o desenvolvimento do futebol nos Estados Unidos. Ganhar a Copa das Confederações será mais um passo importante nesta nossa caminhada - afirmou o técnico Bob Bradley.