Em vestibular da Copa, novatos ganham espaço e laterais acirram disputa

  • gilcacinara
  • 29/06/2009 10:15
  • Esporte
Se a Copa das Confederações foi um vestibular para o Mundial de 2010, alguns jogadores passaram para a segunda fase. Os novatos Ramires e André Santos tiveram 28 dias de convivência com Dunga e o grupo da seleção para mostrar serviço. Fizeram o suficiente para ganhar posição entre os titulares e desbancar Elano e Kléber, já bastante experimentados.

O evento teste para a Copa da África do Sul rendeu algumas novidades ao time brasileiro além do título obtido neste domingo sobre os Estados Unidos. A maioria do elenco manteve seu status, mas a gangorra da preferência junto a Dunga mudou de lado em outros casos. Com o grupo cada vez mais fechado rumo à Copa do Mundo, o treinador mostrou que ainda há tempo para mudanças. E está disposto a realizá-las.

O "tour" da seleção começou no início de junho com dois compromissos pelas eliminatórias. A formação considerada ideal por Dunga foi titular em ambas as partidas, nas vitórias sobre Uruguai (4 a 0) e Paraguai (2 a 1). Mas o treinador já começava a indicar que os testes aconteceriam.

Nos dois importantes duelos das eliminatórias, Ramires substituiu Elano. Passou a formar o meio-campo com Kaká nos minutos finais. Não se destacou tanto, mas começou a ganhar a vaga do camisa 7. Na estreia da Copa das Confederações, diante do Egito, a alteração se repetiu durante a partida.

Depois disso, Ramires assumiu a condição de titular. Foi elogiado por líderes do time, como Kaká e Gilberto Silva. Todos destacaram sua personalidade na primeira experiência na seleção principal (ele já havia jogado pela equipe olímpica). Dunga também gostou do que viu.

O passo mais importante de Ramires para se fortalecer na disputa com Elano foi diante dos Estados Unidos, na segunda rodada. Ele participou dos três gols e chamou a atenção. Na mesma partida, outro novato de seleção fez sua estreia como titular: André Santos. O lateral-esquerdo do Corinthians substituiu Kléber na primeira rodada, virou titular contra os norte-americanos e não saiu mais do time.

"Terminar a competição como titular foi muito bacana para mim. Todos aqui querem jogar a Copa e comigo não é diferente, mas tenho que continuar trabalhando forte. O percurso é longo até lá", avaliou André Santos.

A disputa mais acirrada, porém, foi no outro lado do campo. Recuperando-se de lesão, Maicon perdeu espaço para Daniel Alves no início da viagem. O jogador do Barcelona fez gol pelas eliminatórias, teve boas atuações e colocou dúvidas na cabeça de Dunga. Maicon, contudo, deu o troco rápido. Testado diante dos Estados Unidos, marcou um gol e foi eleito o melhor em campo justamente em seu retorno.

Apesar da vaga reconquistada, Maicon não se livrou da sombra de Daniel Alves. Pelo contrário. O lateral do Barcelona foi decisivo na semifinal. Em poucos minutos em campo, fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul. Se Dunga ainda não sabe quais serão os laterais-esquerdos da Copa, dificilmente Maicon ou Daniel Alves perderão suas vagas na direita.

"Quando a gente começou o trabalho diziam que a seleção não tinha nenhum lateral-direito. Hoje as pessoas sabem que temos os dois melhores do mundo", resumiu o comandante, tranquilo e satisfeito com a fase de Maicon e Daniel Alves.

Na defesa, a dupla titular também está mais do que definida. No entanto, a questão física tem atrapalhado a parceria entre Lúcio e Juan. Depois de desfalcar a seleção nos primeiros jogos das eliminatórias deste ano, contra Equador e Peru, o zagueiro da Roma voltou a se machucar e terminou a Copa das Confederações como espectador.

Por fim, dois dos nomes que mais atraem expectativa na atual geração da seleção encerraram o longo período em direções opostas. Kaká fez gols pelas eliminatórias, pela Copa das Confederações e terminou como Bola de Ouro do torneio na África do Sul, além de ser eleito o craque da final contra os Estados Unidos.

Já Robinho, em quem Dunga deposita muita confiança desde 2006, ainda busca sua melhor condição técnica e tática. Anotou dois gols nessa convocação, mas acumulou atuações apagadas. "O mais importante foi a conquista do título, mas claro que sempre quero jogar bem", ponderou o atacante.