Servidores municipais ameaçam 2 de julho após 10 dias sem negociações

  • eduardocardeal
  • 30/06/2009 01:26
  • Brasil/Mundo
Após 10 dias sem negociações com a prefeitura, o Sindicato dos Servidores da Prefeitura do Salvador (Sindseps) ameaça comprometer os festejos de 2 de julho na capital na próxima quinta-feira. De acordo com Gustavo Mercês, diretor do sindicato, membros da categoria estão diretamente envolvidos na organização do evento e podem prejudicar a infra-estrutura do cortejo. “Somos nós que organizamos e garantimos a efetivação dos festejos do 2 de julho e se a Prefeitura não chamar pra negociar até esse dia, infelizmente os servidores estarão em greve paralisando todas as atividades relacionadas à celebração cívica”, ameaça.


Os trabalhadores tinham programado uma assembleia para esta segunda-feira, 29, às 15h, no Ginásio dos Bancários, mas decidiram adiar a reunião com a possibilidade de uma nova rodada de negociações com a Prefeitura, segundo o diretor do Sindseps. A categoria pede 14% de reajuste salarial, mas a prefeitura mantém a oferta de 2%, alegando impossibilidades econômicas para uma proposta maior.


Nesta terça-feira, 30, os servidores municipais se reúnem às 7h na sede da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), e, em seguida, prometem realizar uma passeata na Avenida Bonocô. "Se houver mesmo negociação, vamos avaliar a greve. Se não, nós vamos programar as manifestações do 2 de Julho", frisa Mercês. Segundo o sindicalista, além de poder comprometer os festejos, a categoria pretende fazer um grande protesto. "Com certeza vamos fazer um movimento muito grande e bonito", completa.


Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) não confirmou a nova rodada de negociação, nem o que será feito caso os funcionários interrompam suas atividades em plena festa de 2 de julho.


TUMULTO - Na manhã desta segunda, houve tumulto na porta da Sucom, quando o superintendente do órgão, Cláudio Silva, forçou a entrada no prédio, que vinha sendo obstruído por manifestantes. Silva estava respaldado por uma liminar do juiz Everaldo Cardoso de Amorim, da Vara da Fazenda Pública. A decisão do último dia 19 garante a entrada de qualquer funcionário que queira trabalhar nos órgãos municipais e determina a manutenção de 30% do efetivo durante o período de greve dos servidores.


O Sindseps alega truculência e agressão por parte do superintendente, mas Cláudio Silva nega as acusações. A Polícia Militar (PM) foi acionada e chegou depois da confusão, mas afirma que os sindicalistas não queriam dialogar.


O sindicato pode ser multado em R$2 mil por dia, caso fique comprovado que seus membros estão impedindo o acesso dos funcionários aos órgão municipais. Apesar disso, Mercês reafirma que não recebeu a liminar. A Procuradoria Geral do Município informou que um oficial tentou entregar o documento por cinco dias à diretoria do sindicato, mas ninguém teria sido localizado.