Márcio Martins Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Prefeito José Hermes (trajando azul escuro) conversando com vereador

Após o prefeito de Canapi, José Hermes, invadir o plenário da Câmara de vereadores do município durante a sessão desta terça feira (10) para exigir que o presidente da Casa, Cícero Silvestre Neto, o “Cicinho”, recebesse e colocasse em pauta um requerimento sobre o orçamento municipal, os vereadores de oposição Agnaldo Silva, Luciano Malta e Arnaldo Barbosa juntamente com “Cicinho”, vão solicitar ao Ministério público (MP) reforço policial durante as reuniões do legislativo.

Segundo Agnaldo Silva, a decisão é uma forma de se prevenir contra novos acontecimentos como o que ocorreu na última sessão. De acordo com Silva, integrantes da base governista o teriam alertado que o gestor voltaria a freqüentar a Casa Legislativa na próxima sessão, provavelmente para acompanhar a votação do orçamento municipal.

Para a bancada de oposição na Câmara, o prefeito não pode ficar interferindo nas decisões do Legislativo. “Que ele esteja presente, tudo bem. Mas que fique lá no seu ‘cantinho’, como qualquer outro cidadão.” Disse Agnaldo Silva.

Sobre a confusão, os vereadores informaram que vão protocolar um processo na justiça acusando o prefeito de abuso de poder público.

A confusão

Após a comissão de orçamento e finanças se posicionar contrária ao que estava proposto pelo chefe do executivo municipal que através do vereador Urso Biano, líder do governo na Casa, colocava um requerimento solicitando que o orçamento fosse posto em votação. O presidente, vereador Cícero Silvestre Neto (Cicinho), se recusou a receber o requerimento e provocou a ira do prefeito José Hermes que estava presente na sessão e interrompeu Cicinho dizendo que ele teria que receber o documento. O vereador Luciano Malta o alertou que o gestor não podia interferir nas decisões do legislativo. Hermes por sua vez se exaltou dizendo que poderia sim e desafiou o edil a lhe retirar da sessão.


O clima já havia começado a esquentar quando o presidente da Casa leu um dos artigos do regimento interno da casa, que segundo ele, garantia embasamento legal a sua decisão de não receber o requerimento, mesma argumentação rebatida pelo vereador Urso Biano, embasado em outro artigo. Sem que houvesse um consenso, o presidente continuou se recusando a receber o documento. Irritado com a atitude do mesmo, o prefeito José Hermes, acompanhado de seguranças e de alguns correligionários invadiu a sessão, obrigando o presidente a assinar o requerimento.


Apesar do tumulto, não houve agressão física entre as partes, no entanto diante da pressão o presidente suspendeu a sessão e os vereadores de oposição se retiraram do plenário. A pressão do chefe do executivo apoiado pelos vereadores da base aliada continuou e o presidente terminou revendo a decisão e assinou o requerimento. No momento em que o mesmo assinava o documento, os vereadores de oposição que haviam deixado o recinto, retornaram ao plenário e iniciou um novo tumulto. Foi preciso a intervenção da polícia militar para acalmar os ânimos. No final, prevaleceu a vontade do prefeito.


Com a documentação assinada, prefeito, vereadores e correligionários comemoraram como se fosse um título de uma decisão de campeonato. Agora a oposição diz que vai a justiça denunciar a atitude reprovável do gestor municipal.


Para alguns canapienses que assistiram a toda a baixaria dentro da Casa da “democracia e dos direitos do cidadão”, a atitude dos parlamentares e do chefe do executivo municipal, apenas demonstra a incapacidade dos mesmos em ser dignos representantes do povo.