Paulo Dantas quer ser governador e promete não trair Renan Filho

  • Repórter Nordeste
  • 01/11/2021 12:07
  • De Olho nas Eleições 2022

Paulo Dantas é o deputado estadual mais interessado em ser o próximo governador-tampão. Busca relações políticas mais próximas com o governador Renan Filho (MDB). Dantas tem o aval do presidente da Assembleia, Marcelo Victor (SD), que vai definir, junto aos deputados, o próximo chefe do Executivo, que fica no poder a partir de abril, levando em conta que Renan Filho vai renunciar para disputar a vaga ao Senado, hoje de Fernando Collor (PROS).

Difícil compreender: como Renan Filho vai renunciar, se Marcelo, ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), é quem dará as cartas na política e nos destinos de R$ 5 bilhões nos cofres estaduais?

Podem existir duas respostas, que se complementam.

A primeira: Dantas quer mostrar ser um personagem de extrema confiança do governador, mesmo a política sendo o que ela é: a palavra é o interesse e a traição, em nome do poder, é regra do jogo.

A segunda resposta pode estar no orçamento impositivo.

Vamos explicar:

A mesa diretora da Assembleia promulgou recentemente e sem alardes (para não ferir os brios palacianos) a emenda constitucional número 42/2019, que institui o orçamento impositivo.

O projeto foi aprovado em 2019 na Assembleia, sob forte resistência do governador.

A PEC garantiu R$ 3 milhões a cada deputado, deixando os parlamentares mais livres de qualquer retaliação por parte do Governo.

Ao receber o projeto, Renan Filho poderia vetar, aprovar ou não sancionar a lei. Optou pelo último caminho. Assim, a emenda voltou ao legislativo e a mesa diretora da Casa de Tavares Bastos sancionou a matéria. Agora, é lei.

A promulgação seguiu para o governador que poderia autorizar a Procuradoria Geral do Estado ajuizar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, levando a briga para os tribunais. Renan Filho optou pelo encerramento do assunto.

E colocou um fim a uma disputa que começou durante as conversas para definir o nome do presidente da Assembleia. O governador queria emplacar o tio, o deputado Olavo Calheiros (MDB), por não confiar em Marcelo Victor. A ideia era que Renan, ao deixar o Governo, entregasse ao tio o comando do Estado.

Em revide, chegou a exonerar os indicados pelos deputados da máquina estadual. A estratégia foi um fiasco. 26 dos 27 deputados estaduais votaram em Marcelo Victor para a Presidência da Casa. Intuindo a derrota, Olavo retirou sua candidatura e deixou o plenário no dia da eleição, para não votar em Victor.

Em setembro do ano passado, nova derrota para o governador: 25 dos 27 deputados disseram sim ao orçamento impositivo. E no início do ano, Arthur Lira foi eleito presidente da Câmara, apesar da campanha de Renan Calheiros em Brasília contra o rival.