Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Câmara de vereadores de Santana do Ipanema

Um projeto de lei que alterou a verba de gabinete de R$ 7 mil para R$ 10.300. Esta é mais uma ação dos vereadores de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoas, que vem causando indignação na população. Mesmo com o veto da prefeita Renilde Bulhões, os edis persistiram com o reajuste de 47%, que deverá ser alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual.

A nova verba de gabinete é a maior do estado. Para se ter noção, em Maceió, capital alagoana, com uma população de aproximadamente 945 mil habitantes, os vereadores recebem R$ 9 mil de verba. Já na maior cidade do Agreste, Arapiraca, a verba de gabinete chega a R$ 8300. Esses números são inferiores ao que os parlamentares de Santana do Ipanema almejaram, local onde a população não ultrapassa os 45 mil.

A Câmara de Santana possui atualmente nove vereadores e com o novo valor, o impacto será um aumento de R$ 29.700 por mês. A verba de gabinete é destinada para os gastos que os parlamentares exercerem suas funções, como pagamento de assessores, materiais.

O projeto de lei foi de autoria do vereador Eudes Vieira da Paixão, conhecido como Meirica, e aprovado numa sessão extraordinária ocorrida no início deste mês. No dia da votação, dos 9 vereadores, oito compareceram. Foram seis votos a favor do projeto, inclusive o da presidente da Câmara, Josefa Eliana Silva Bezerra, e outros dois contra, dos vereadores Genildo Bezerra – o ‘Papa Tudo’ – e José Enaldo de Melo, conhecido como ‘Enaldo do Detran’.

De acordo com Genildo Bezerra, o projeto de lei chegou a passar pela Comissão de Orçamento e Fiscalização, a qual faz parte, e acabou sendo aprovado. “Eu vetei na comissão, mas os outros dois vereadores aprovaram e o projeto foi para plenário. Continuei com meu voto contra, pois o projeto não apresentava uma justificativa e o considero imoral para a sociedade”, colocou Genildo, comparando o aumento de R$ 77 no salário mínimo.

Após a aprovação na sessão plenária, o projeto de lei foi apreciado pela prefeita Renilde Bulhões, que não concordou com o aumento e vetou. No entanto, ao retornar à Câmara, os vereadores derrubaram o veto e o reajuste de R$ 3300 permaneceu. “Eu acompanhei o veto da prefeita, assim como o Enaldo do Detran. No entanto, dos demais vereadores derrubaram. O projeto novamente passou por comissões da Câmara, mas em nada alterou”, disse Genildo Bezerra.

E o dinheiro já está na conta dos parlamentares desde o dia 20 de março. Como foram contra a aprovação, Genildo Bezerra e Enaldo do Detran fizeram a devolução do acréscimo da verba ao município. “Não vamos compactuar com isso. Só ficamos com a verba que já era paga sem o aumento”, confirmou.

Sobre uma provável denúncia do caso ao Ministério Público, o vereador confirmou que a Câmara já vem sendo investigada pelo órgão. “Antes da aprovação, o promotor Luiz Tenório, que respondia pelo município, já havia solicitado documentos do legislativo. Acredito que isso deva ser investigado também, porque não há justificativa para esse aumento absurdo”, concluiu.