Durante a Pesquisa Nacional do NEV-USP, por amostragem domiciliar, sobre atitudes, normas culturais e valores em relação à violação dos direitos humanos e violência - 2010, realizada em 11 capitais brasileiras, foi indagado aos jovens (entre 16 e 19 anos) se possuem algum colega ou amigo que já se envolveu em determinadas situações violentas.

O resultado foi que 47,3% dos jovens afirmaram possuir um amigo/colega que já agrediu/espancou outro colega; 41,6% afirmaram possuir algum que já se meteu em briga de gangues; 37,5% deles possuem algum que foi ameaçado de morte; 28,8% possuem algum que anda armado; 28,6% possuem algum que já foi ferido por arma de fogo e 28,6% possuem algum que foi assassinado.

Se comparados esses percentuais com os obtidos em 1999, observa-se um crescimento significativo do número de jovens que possuem algum amigo/colega que já foi ameaçado de morte (de 26,5% para 37,5%), que se meteu em briga de gangues (de 37,7% para 41,6%) ou que foi assassinado (de 22% para 28,6%).

Elementos que apontam a crescente exposição e vulnerabilidade dos jovens - que representaram 53,5% dos 52.260 assassinados no país em 2010, de acordo com os dados do Datasus – Ministério da Saúde – em relação à violência (Veja: Vítimas de homicídio: 53,5% são jovens e Mortalidade infantil “versus” mortandade juvenil).

A pesquisa demonstrou ainda que, para os jovens, ser bem sucedido significa ser malandro, matar aula, usar arma e ser temido e que, segundo 27,8% da população em geral, usar arma faz com que o indivíduo se sinta forte, enquanto que 20,2% entende que faz com que ele se sinta importante (Veja: Jovens dizem: Ser bem sucedido é matar aula, ter arma de fogo, ser durão e provocar medo).

Sinal de que cresce a legitimação da força e do autoritarismo como formas de ascensão social e de solução de qualquer tipo de conflito (Veja: Pais brasileiros são violentos contra seus filhos).

*LFG – Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Siga-me: www.professorlfg.com.br

**Colaborou: Mariana Cury Bunduky – Advogada, Pós Graduanda em Direito Penal e Processual Penal e Pesquisadora do Instituto Avante Brasil.