LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorlfg.com.br

Dilma fez o balanço dos dez anos do PT no governo federal (Folha de S. Paulo de 30.12.12, p. A3) e enfatizou vários avanços: combate à desigualdade social, educação, saúde, habitação, aumento da classe média, redução da pobreza, aumento na renda média do brasileiro, privatizações, barateamento da energia elétrica etc. Não mencionou o item segurança pública.

O site do governo do Estado de São Paulo mostrou a retrospectiva do ano de 2012 e omitiu a seríssima crise na segurança pública, que acabou resultando na troca do secretário da segurança (Folha de S. Paulo de 30.12.12, p. A4).

Ambos omitiram o assunto (ou dados relevantes sobre) segurança pública. Por quê? Porque os índices explosivos da criminalidade e da violência, em 2012, tanto nacional como no Estado de São Paulo, estão afetando de forma patente a avaliação dos dois.

Em relação a Dilma, Mauro Paulino e Alessandro Janon (diretor-geral e diretor de pesquisas do Datafolha) explicaram (em 16.12.12): “A taxa dos que acham que Dilma vem fazendo menos pelo país do que o esperado cresceu oito pontos nos últimos oito meses e o índice dos que esperam da petista um governo ótimo ou bom daqui para frente caiu cinco pontos em quase um ano. Essa desconfiança sobre o desempenho da presidente pode ser explicada em parte pela sensação de insegurança. Menções à violência cresceram de maneira significativa nas perguntas sobre o principal problema do país e sobre a área de pior atuação do governo petista, especialmente entre os nordestinos. Além disso, a reprovação ao desempenho de Dilma na área de segurança pública subiu 11 pontos percentuais.”

De outro lado, em setembro de 2012, 40% achavam o governo Alckmin ótimo ou bom; em outubro, o percentual caiu para 29% (Datafolha, Folha de S. Paulo de 25.11.12, p. C4). Em setembro seu governo era ruim ou péssimo para 17%; em outubro chegou a 25% (Datafolha). Alckmin perdeu 11 pontos percentuais (na sua avaliação) em um único mês e 63% dos paulistanos acham ruim ou péssima a sua atuação na área da segurança pública. É a pior avaliação de um governador de estado desde 1997. Nem mesmo Cláudio Lembo, que administrava São Paulo na época dos ataques concentrados do PCC em maio de 2006, chegou a receber tão baixa avaliação (56%, contra 63% de Alckmin, em outubro de 2012).

Com um total de 190.818 detentos, o estado paulista lidera o número absoluto de presos no Brasil, com taxa de 462,56 presos/100 mil habitantes (considerada a população de 41.252.160 habitantes). São Paulo é o quarto estado que mais prende no país, ficando atrás apenas de Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. O Estado de São Paulo conta com 35% dos presos de todo país. Aumento de 247% nos últimos 18 anos. A velha política paulista do encarceramento massivo parece apresentar sinais evidentes de desgaste. Aumenta a cada dia a população carcerária e, quase na mesma proporção, a violência.

As crises no setor da segurança, em São Paulo e no Brasil, estão afetando a credibilidade dos governos do PT e do PSDB. Mais do que economia, emprego, aumento salarial ou corrupção, a segurança pública pode definir o quadro sucessório eleitoral de 2014, havendo mais desvantagens, neste momento, para o governo paulista. Mas muita água ainda vai rolar.