Naiá Braga/G1 BA Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Dom Geraldo Majella falou sobre pedofilia e evento no Rio de Janeiro

De volta a Salvador após ter participado do conclave que elegeu o cardeal de Argentina, Jorge Mario Bergoglio, o Papa Franscisco, Dom Geraldo Majella Agnelo contou que, nas reuniões dos cardeais, foram discutidos mudanças e problemas que a Igreja atualmente enfrenta. O arcebispo emérito do Brasil concedeu entrevista à imprensa por volta das 15h desta segunda-feira (25) e fez um breve balanço sobre sua ida a Roma. Em 2005, o arcebispo participou do conclave que elegeu o papa Bento XVI.

"Sempre houve problemas. A Igreja não é reunião de anjos", afirmou. Em relação às denúncias de pedofilia, Dom Geraldo enxerga mudanças. "Essa questão, quando acontece, tem que ser analisada. Onde houver a existência dessa prática, ela precisa ser extirpada. Agora, diferente do que acontecia antes, é obrigação dos bispos cassar, suspender essas pessoas e levar até o poder público", resumiu.

Com o ar cansado, mas bem humorado, Dom Geraldo abordou a participação na eleição: "Foi minha segunda participação. Poucos são os que voltam para segunda vez. Este conclave tem uma conotação importante porque a gente estava acostumado a fazer conclave após a morte de um papa", explicou. Ele viajou para a escolha do papa no dia 24 de fevereiro.

Dom Geraldo se disse muito satisfeito com a decisão. Segundo ele, durante as congregações, Bergoglio se destacou entre todos os cardeais. "Quando se fazia as reuniões de estudo, o Papa Franscisco sempre apontava para aquilo que seria melhor para Igreja. Ele chamou atenção para a posição de caridade, justiça, fraternidade, perdão e misericórdia. O que é básico para o anúncio do Evangelho é a solidariedade.Tenho a impressão que essa característica dele tocou os cardeais", refletiu.

Dom Geraldo disse que foi o primeiro cardeal brasileiro a cumprimentar o Papa Francisco. "Fui o primeiro cardeal brasileiro a cumprimentá-lo. Eu disse: 'A gente te espera, a juventude do Brasil te espera'. Eu tenho muita liberdade com ele", afirmou.

De acordo com o cardeal, a Igreja Católica do Brasil já acompanhava o trabalho de Bergoglio de perto. No ano de 2007, os dois participaram juntos da Assembleia e Bispos da América Latina, na cidade de Aparecida, em São Paulo. "Nessa ocasião, ele trabalhou bastante, coordenou o grupo", recorda.

O papa Franscisco virá ao Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude, que acontece no Rio de Janeiro. Não está descartada a possibilidade do Papa visitar outros estados, adiantou Dom Geraldo. "Ele é muito prático, pode visitar outros estados", disse o arcesbispo.