Mais de 100 mil já se inscreveram em programa para casa própria em SP

  • antoniomelo
  • 26/04/2009 14:42
  • Brasil/Mundo

O recém-lançado projeto habitacional Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, já atraiu quase 110 mil pessoas neste mês à sede da Cohab paulistana.

 

O programa pretende construir 400 mil residências subsidiadas no país para famílias que ganham entre um e três salários mínimos.

 

Entretanto, a oferta é bem menor que a demanda, pelo menos na cidade de São Paulo. De acordo com o diretor comercial e social da Cohab-SP, José Rubens Domingues Filho, a capital paulista deverá ter 20 mil unidades subsidiadas dentro do programa. O governo federal não informa o número de unidades destinadas a cada município.

 

Desde o lançamento do programa, no dia 13, a procura pela inscrição na Cohab – que também oferece projetos municipais e estaduais de casa própria – foi multiplicada por oito. De uma média de 50 atendimentos por dia, a busca se elevou para mais de 400 pessoas.

 

Como as inscrições também são feitas pela internet, a procura em abril já chegou perto de 110 mil pessoas. Somente no dia 17, pico de atendimento, mais de 24 mil pessoas se cadastraram para o projeto.

 

Para as famílias que ganham entre um e três salários mínimos por mês, as 400 mil novas moradias do programa "Minha Casa, Minha Vida" não chegam nem perto de resolver o déficit de moradias para a baixa renda no país, que o próprio governo federal calcula em 6,5 milhões de unidades.

 

As casas a serem construídas para quem ganha até três mínimos terão subsídio federal – a prestação será de 10% da renda familiar, respeitado o mínimo de R$ 50.

 

De acordo com Domingues Filho, da Cohab-SP, a diferença entre o programa Minha Casa, Minha Vida e os outros do governo é que, para as famílias de renda até R$ 1.395 por mês, as casas serão subsidiadas.

 

Isso significa que o poder público não vai reaver todo o dinheiro investido nas residências (o preço proposto pelo governo federal é de R$ 52 mil por unidade), ao contrário do que ocorre nos programas habitacionais tradicionais, nos quais o mutuário paga o valor total do imóvel.

 

Para quem ganha até três salários mínimos, o cadastro será feito nas prefeituras – inicialmente, o governo tinha limitado a abrangência do programa a cidades com mais de 100 mil habitantes, regra abolida, segundo o Ministério das Cidades.

 

Nesse caso, o candidato a mutuário deve se cadastrar na prefeitura e esperar contato. E o retorno não será necessariamente rápido: segundo a Cohab-SP, a execução é de "médio e longo prazo" e dificilmente leva menos de um ano.

 

Na última sexta-feira (24), mais de 300 pessoas receberam senha de atendimento. O responsável pela organização do atendimento informou que, durante a semana, "teve gente madrugando na fila".

O metalúrgico Manoel de Souza, de 39 anos, tentava sair do aluguel. Atualmente, ele paga R$ 200 mensais para morar em uma casa de dois cômodos na Vila Brasilândia com a esposa e três filhos pequenos.

 

"Eu me encaixo na renda de até três salários mínimos. Quero pagar por uma coisa que vai ser minha."

 

A promotora de vendas Bruna de Oliveira, 19 anos, quer sair de uma área de invasão na periferia de São Paulo, onde vive há sete anos.

 

"O terreno não é legal, e toda a vez que chove dá enchente", explica ela. Junto com a mãe, ela espera ter renda suficiente para pagar uma prestação mensal de R$ 150 a R$ 200.

 

Adriana Ribeiro da Silva, de 34 anos, trabalha no metrô e ganha cerca de dois salários mínimos por mês, além da pensão que recebe do ex-companheiro. Atualmente, paga R$ 300 para morar na região de Arthur Alvim com o filho de 14 anos.

 

"Se passar a pagar menos (para morar) vai ser ótimo, vou poder comprar minhas coisas, vou poder pagar um convênio (médico) para o meu filho."

 

Cada prefeitura estabelece um método de inscrição: em São Paulo, os cadastrados serão elegíveis para todos os programas habitacionais, sejam da União, do estado ou do município.

 

Segundo a prefeitura, não há necessidade de corre-corre: como ainda não há previsão de início das obras, as inscrições ainda ficarão abertas por algum tempo, inclusive na internet. Quem já se cadastrou pelo menos uma vez na Cohab não precisará se recadastrar.

 

"Quarenta por cento das pessoas ficam na fila sem necessidade", diz o diretor da Cohab-SP, lembrando que a liberação das residências será feita por critérios socioeconômicos, como renda e composição familiar, e não "por ordem de chegada".

 

No Rio de Janeiro e em Porto Alegre, há diversos pontos de atendimento. Em Belo Horizonte e em Salvador, as inscrições devem começar nos próximos dias.

 

No Recife, a administração decidiu que não haverá novo cadastramento, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, as famílias que hoje recebem auxílio-moradia terão prioridade nas unidades do "Minha Casa, Minha Vida" no estado.