Sequência direta de Cassino Royale diverte, mas não o supera

  • Redação
  • 10/11/2012 15:59
  • Cinemografia

Sequência direta de Cassino Royale, 007 - Quantum of Solace tem início quase que imediatamente após o desfecho do filme anterior, apresentando James Bond (Daniel Craig) em sua busca pessoal por vingança após a morte de Vesper Lynd (Eva Green), que tem como ponto de partida o interrogatório do misterioso Sr. White (Jesper Christensen). Contudo, como nada vem fácil ao agente, este acaba descobrindo uma organização criminosa fantasma intitulada Quantum, que tem como um de seus membros o "filantropo" Dominic Greene (Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta), nome este que funciona como única pista para Bond por grande parte do filme. Talvez o mais político dos filmes da franquia 007, tendo o paralelo entre organizações filantrópicas e enriquecimento escuso como carro-chefe, Quantum of Solace segue as marcas estabelecidas pelo filme antecessor, porém no âmbito geral não se mostra tão amarrado e conciso quanto este ou, para ser direto, tão interessante.

Optando por escalar um diretor com mais renome "artístico", o cargo coube a Marc Forster (Redenção), que faz aqui seu primeiro filme de ação e, como era esperado, não faz feio, pois dosa bem o ritmo de ação - as sequências de ação são inegavelmente inspiradas nos filmes do agente desmemoriado Jason Bourne - e suspense que a obra pede, além de explorar ao máximo a carga dramática da mesma, dando ao filme um clima próximo ao de Cassino Royale. Entretanto, apesar da pegada permanecer a mesma, alguns pequenos detalhes fizeram com que este filme resultasse um pouco inferior aquele, os quais pincelarei a respeito abaixo.

O roteiro, concebido pelos mesmos responsáveis pelo de Cassino Royale (Paul Haggis, Neal Purvis eRobert Wade) traz alguns novos elementos interessantes - como a crítica política - e evolui em alguns pontos o personagem James Bond, contudo em alguns momentos sua condução se mostra um pouco confusa, talvez exageradamente verborrágico, o que dá ao filme um caráter de complexidade que não resulta de forma interessante a obra. Soma-se a essa "confusão" a má opção de Marc Forster - e de seus montadores Matt Cheese e Rick Pearson - de "picotar" demais as sequências de ação, principalmente a de abertura, que devido ao excesso de cortes e a velocidade de transição entre os mesmos acabam por deixar algumas dessas sequências incompreensíveis e até mesmo cansativas.

Talvez a greve dos roteiristas de 2007 tenha contribuída para esta falta de unidade em alguns momentos, visto que, pela norma legal não haveria como os roteiristas trabalharem novas situações durante as filmagens, cabendo assim ao diretor e equipe técnica bolar alguma situação caso alguma cena ou diálogo não estivesse funcionando a contento. Ademais, este é um dos filmes mais curtos da franquia 007, tendo pouco mais de 100 minutos de metragem, o que talvez contribua para a sensação de que "falta alguma coisa" obtida ao assistir a ele.

O elenco, como de praxe na franquia, continua exemplar. Daniel Craig expande sua força e comprova de uma vez por todas que foi o nome certo para o papel, Judi Dench continua a entregar uma interpretação hipnotizante e os novos nomes, Olga Kurylenko (Centurião), Gemma Arterton(Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo) e Mathieu Amalric, que interpreta o antagonista de Bond, estão bem arranjados em seus determinados papeis. Destes últimos destaco a composição de Amalric, que constrói seu personagem de maneira a dosar sarcasmo e ironia de maneira sutil, tendo sua atitude o poder de despertar mais interesse do que o desenvolvimento irregular do personagem pelos roteiristas.

Alguns críticos foram muito duros com Quantum of Solace (em tradução aproximada, Um Pouco de Consolo), especialmente por o compararem em todos os sentidos ao indiscutivelmente magistral Cassino Royale, entretanto o filme tem seus méritos e apesar da óbvia dependência para com seu antecessor, traz alguns novos elementos importantes, como a revelação da organização Quantum, além de encerrar de "vez" o problema pessoal de James Bond. Também apresenta algumas sequências de ação emblemáticas (inclusive uma aérea de tirar o fôlego) que só não sagram-se perfeitas pois acabam sabotadas pela opção estética do diretor, mas isso não desmerece o resultado final do filme como um todo, que numa análise fria não apontaria como um dos melhores, mas é um bom produto e desperta interesse para a conferência de sua inevitável sequência.