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Uma menina tenta equilibrar o violino e se concentrar nas notas da música para uma platéia atenta a seu gesto, no Salão da Igreja São Francisco, na noite desta sexta-feira (14). O maior público da sua vida. Nota-se certo nervosismo, mas a garota segue até o fim, com o apoio do colega que esfrega seu ombro, termina o número, se curva e agradece aos espectadores, como faz todo grande artista. Depois desaba a chorar nos braços da professora, como faz toda criança assustada.

Crianças pobres tocam violino, eis a realidade, também percussão, flauta doce e violão, fazem vídeos, compõem músicas, estudam e se especializam. “Quero ser um músico e sair tocando pelo país”, diz um garoto ao colega repórter que saber do pai. “Como seu filho está na escola?”. Meninos filhos de muitas Marias que só estão alimentando desejos, porque há vinte anos um homem os pegou na rua e lhes deu o direito de sonhar, Dom Mário Zanetta.

Dom Mário os pegou e outras pessoas que por aqui passaram os abraçaram também para ser possível continuar sonhando. “Deus nos deu uma semente, um sinal maravilhoso do seu mistério, fazer com que a Fundame, que já brotou e gerou frutos possa seguir ao longo do tempo, enfrentando as novidades do tempo, mas permanecendo gerando sempre vida, amém!” disse Pe. Celso ao abrir o evento comemorativo, pelos vinte anos da Fundação.

Estiveram presentes representantes da prefeitura municipal, do judiciário, conselheiros, ex-presidentes e coordenadores, funcionários e atuais colaboradores. “O Evangelho que nos ensina a entender a FUNDAME (Fundação da Assistência a Criança as ao Adolescente de Paulo Afonso) é o do Bom Semeador, a semente vai caindo em terras pedregosas e no meio do caminho, mas a nossa alegria está na certeza que ela também cai em terra boa e vemos germinar” explicou a Irmã Maria Flor, da Ordem Beneditina, ex-coordenadora da FUNDAME.

Entre os falantes estava José Fernando Neto, ex-presidente da entidade que a dividiu em três etapas básicas. “Nesses vinte anos a Fundame passou por três etapas, a primeira teve doze anos com a Congregação italiana que a recuperou e organizou um trabalho gigantesco, a segunda foi a Irmã Paula quando a Fundame se abre aos projetos e consegue executa-los e finalmente, vivenciamos a terceira etapa, com as Irmãs Beneditinas, especialmente a Irmã Marcelina que hoje coordena a entidade, entremos na fase, com a concretização da mudança de abrigo institucional para o sócio-educativo e está dando certo” pontuou.

Para o Bispo Dom Guido a FUNDAME é uma obra que vale todo esforço sustentar, principalmente pelo que vem fazendo na educação. “Quando penso na Fundame como semente e quando penso em Dom Mário, eu lembro quatros pontos que o Papa Francisco nos expõe e valem para todos: o tempo vale mais do que o espaço, a unidade é maior do que o conflito, a realidade é mais importante do que a ideia e a totalidade é mais importante do que a parte” explico:

O tempo e o espaço: a educação é uma semente que cresce, portanto, em educação, não vive o imediatismo, é preciso esperar.

Unidade é maior que o conflito: sabemos que existem conflitos na família, dentro de nós e na própria Igreja, mas se todos vão zelar pela unidade é uma riqueza, então precisamos nos ajudar.

A realidade é mais importante do que a ideia: por isso as etapas postas aqui, foram etapas que corresponderam ao momento. Não me serve uma ideia que não corresponda à realidade.

A totalidade é mais importante do que a parte: devo pensar no projeto Fundame, mas contextualizar com as ações que acontecem em toda Diocese.

Finalizando o evento a Irmã Marcelina agradeceu especialmente aos parceiros como a Prefeitura de Paulo Afonso, a Diocese e todos os funcionários que ajudam na labuta diária, aos músicos, voluntários e amigos que eventualmente ajudam as crianças que hoje são assistidas, num total de noventa.

São futuros professores, músicos, pintores, escritores, agricultores e engenheiros colhidos à margem da sociedade pela mão de Cristo. A forma maior de viver o Cristianismo é através da caridade.