A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres quanto os homens. Há, nas sociedades contemporâneas, uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética. A principal prova dessa afirmação está nas incontáveis linhas de cosméticos, academias, centros de estética e de cirurgia plástica, além de revistas sobre beleza e boa forma que prometem dietas milagrosas.

Com uma ampla variedade, o mercado da aparência física é um dos que mais cresce atualmente. Entendida como consumo cultural, a prática do culto ao corpo coloca-se hoje como preocupação geral, que perpassa todas as classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso que ora se baseia na questão estética, ora na preocupação com a saúde.

Há registros bem antigos sobre a preocupação social com o corpo humano. Na Grécia Antiga, na busca pela perfeição, a beleza física era altamente valorizada, juntamente com um intelecto desenvolvido. Já na Idade Média, com a supremacia da igreja, predominou um dualismo entre corpo como fonte de pecado e alma como objeto de salvação. O culto à estética corporal foi proibido, assim como a exposição do corpo humano, mesmo nas artes.

Hoje, apesar de pessoas com o corpo perfeitamente em conformidade, o mercado da estética faz com que a mesma propaganda que anuncia a oferta crie a demanda. É cada vez mais comum que a mídia, em suas programações, destine cada vez maiores espaços para apresentar novidades em setores de cosméticos, de alimentação e vestuário. Propagandas veiculadas nessas mídias estão o tempo todo tentando vender o que não está disponível nas prateleiras: que o sucesso e felicidade dependem de um padrão de beleza imposto por eles.

Claramente não defendo o sedentarismo e acomodação. Acredito que ser saudável e buscar melhorias físicas são possíveis e necessárias para viver com mais saúde e disposição. O problema é quando essa busca causa algum tipo de doença como anorexia, bulimia ou uso de anabolizantes. Uma pesquisa realizada na Universidade de Edinburgh, na Inglaterra, mostrou que, ao acompanhar por uma década pessoas que viviam fora dos padrões, tanto de comportamento como estéticos, quem não se importa com as opiniões alheias é mais seguro, menos estressado, mais feliz e tende a viver por mais tempo.

O aspecto físico não pode ser o único sinônimo de êxito e felicidade. Significa estar e sentir-se bem e confiante mesmo contrariando os moldes que os padrões impiedosamente impõem.  Estar bem com o espelho é consequência de bom humor, paz interior, saúde físico-mental, emoções equilibradas e estado de espírito. 

*Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional