“A taça do mundo é nossa, com os brasileiros não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro é bom no samba, é bom no couro”, ou então: “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração, todos juntos vamos pra frente Brasil salve a seleção, de repente é aquela corrente pra frente parece que todo o Brasil deu a mão; mais adiante o atleta Leovigildo Lins da Gama Júnior , o nosso grande lateral esquerdo Júnior gravou: “Voa canarinho voa, mostra pra esse povo que és um Rei, Voa canarinho voa  mostra na Espanha o que eu já sei”, são letras e músicas de 1958, 1970 e 1982 respectivamente.

       Nasci em junho de 1962, coincidentemente ano em que o nosso escrete conquistava o bi campeonato mundial , no Chile. Antes, porém, em 1958, havíamos conquistado a primeira Copa do Mundo, na Suécia, para o nosso país e diga-se de passagem o Brasil é o único país que conquistou um título em outro continente, conquistamos na Suécia em 58 e na Coreia/Japão em 2002, porém, o que mais intriga aos europeus é justamente o fato de termos conquistado um título no continente deles e eles nunca terem conquistado na América.

     A partir de 1970, comecei  a acompanhar os jogos da nossa seleção. Lembro-me muito bem que neste ano morávamos em Aracajú, a repetidora era de Salvador e os jogos eram transmitidos com atraso, mas tínhamos um timaço: Felix; Carlo Alberto Tôrres, Brito; Piazza e Everaldo; Clodoaldo; Gerson e Pelé; Jairzinho; Tostão e Rivelino. Todos ficavam emocionados e felizes, pois o mundo se curvava perante os nossos craques e nós sentíamos orgulho disso.      Depois vieram as copas de 1974 e 1978, a de 74 com o famoso carrossel Holandês liderados pelo grande Johan Cruyff, que encantou o mundo. Em 1978, na copa do Mundo da Argentina, lembro-me perfeitamente que o Brasil jogou em Mar del  Plata as três primeiras partidas, e, pasmem os senhores, que naquela época o padrão FIFA passou muito longe, pois os “tufos” de grama saiam a cada chute dos jogadores, era um absurdo.

     Deixei para abrir um parágrafo de propósito, para falar sobre a copa de 1982, onde, na minha opinião, junta com a de 1970, foi a maior de todas as seleções: Valdir Perez; Leandro, Oscar; Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo;  Paulo Roberto Falcão; Sócrates e Zico; Serginho Chulapa e Eder. Que timaço!! Após cada vitória a nossa confiança aumentava, comemorávamos feito loucos e sentíamos que os nossos adversários se retraíam, tamanha era capacidade dos nossos craques em criar as jogadas, porém, o futebol é simplesmente futebol  e por isso torna-se emocionante e ingrato, é isso mesmo, INGRATO, pois o melhor, o bonito e o encantador , nem sempre vence.

    Meus caros leitores, esta será a décima primeira copa que eu assisto, e hoje vejo com tristeza que a nossa seleção não está mais sendo tratada como antes, quando nós torcíamos pelos nossos craques e não por partidos políticos. Nas melhores seleções de todos os tempos, o entusiasmo era muito maior, sem comparações, e, o interessante, é que vivíamos em plena DITADURA MILITAR, e tínhamos tudo para torcermos contra, porém, nós íamos torcer por uma seleção que sabia o que queria dentro de campo e por isso nos orgulhava, não importando se era a seleção do General  Emilio Garrastazu Médici, do João Batista de Figueiredo, do Collor, do FHC, do Lula ou da Dilma, mas sim, iriamos torcer para a nossa querida, amada e empolgante seleção Canarinha.